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December 15th, 2008 · No Comments
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December 15th, 2008 · No Comments
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Otimização de sites para o Google
December 15th, 2008 · No Comments
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December 15th, 2008 · No Comments
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Primeiro lugar
April 21st, 2008 · No Comments
Certamenta é uma boa o Primeiro lugar.
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Blindagem e Segurança
December 15th, 2007 · No Comments
Quem contrata uma empresa de blindagem deve estar certo de que considera a segurança em primeiro lugar.
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Intercâmbio Cultural
December 15th, 2007 · No Comments
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Aprenda a administrar seu tempo
December 15th, 2007 · No Comments
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Tudo sobre Windows Live Messenger
December 15th, 2007 · No Comments
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Quem na usa MSN hoje em dia, não é mesmo?
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Site ensina a fazer massagem
December 15th, 2007 · No Comments
O site Massagem Okido fala de massagem, técnicas, como fazer.
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Novo endereço
June 2nd, 2007 · 1 Comment
www.breviario.org/perambulagens
O Perambulagens agora faz parte do coletivo Breviário.
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Só para dizer que voltei
May 28th, 2007 · 3 Comments
Agora o pessoal da Ajato enfim voltou com a internet aqui em casa. De volta ao mundo, desde quinta estava me perdendo por aí. A Myriam, essa imoral, até teve tempo de criar seu blog (ela está devendo que eu lhe pague uma cerveja). É que teremos um longo tempo de greve na USP. Agosto? Setembro? A data de volta é incerta, mas sabemos que temos um longo longo tempo para lermos do que quisermos. Nada de fonética e fonologia, viva!
No último dia de biblioteca aberta peguei os dez livros a que tenho direito, na verdade preenchi os dez slots, como dizemos. Minha lista: Complete poems of D.H. Lawrence (volumes II e III — ah, mato quem pegou o I), Poetic of Indeterminancy de Marjorie Perloff, Breviário de Estética de Croce, Poesia completa de Rimbaud (tradução Ivo Barroso), Retrato hablado de Rimbaud, Rimbaud livre (tradução de Augusto de Campos — bastava eu dizer Haurusto… vocês logo entenderiam que se trata de um dos que fazem traduções recreativas), Rimbaud: das Iluminuras a América (mais ou menos isso, de sei-lá-quem Vasconcelos), Lírica trovadoresca do Spina e… faltou eu me lembrar de um. Ah, mas pra quem não anda se lembrando de seus vinte anos já nem recentes está ótimo.
Nesse tempo aproveitei para pensar em poemas e ter algumas boas notícias. Publicaram-se meus primeiros poemas, na zine Le mur, que tem apoio da Aliança Francesa de Goiânia. Na verdade isso já faz umas duas semanas. Ainda quero postar sobre a zine. Nesse tempo offline, na verdade, saiu outro texto meu, o primeiro em livro! É o posfácio de O elefante infante de Kipling que a Musa Editora lançará na Casa das Rosas neste sábado. Talvez amanhã eu poste o texto integral aqui. A edição ficou primorosa. Ah, neste dia será lançado também O sapo apaixonado de Donizete Galvão, também pela Musa. Quero falar de ambos.
Ando inventando comidas e coisas pra dizer — além de outras pra guardar. Vocês devem imaginar que, sem bandejão, eu tenho que cozinhar; sem aulas, tenho que inventar meu programa de estudos.
Hoje fui à Editora Cortez comprar um caderno porque quero pôr em prática um diário. Acabei levando também um caderno quadriculado e Algumas partituras do Gerardo Mello Mourão. O primeiro, porque o Beckett os usava para escrever: gostei da idéia e quem sabe se assim não herdo seu talento? O segundo, edição já esgotada, não podia ficar ausente da minha estante. Além do mais faz um tempinho que não compro livro. Contenção de gastos, ando economizando até em cerveja. Pode?
Fico pois por aqui. Alguns blogueiros talvez resmunguem de eu estar escrevendo, não trabalhando com o Wordpress MU. Mas já estou saindo… Fiquem com a primeira estrofe que traduzi do Sing of death do D.H. Lawrence. Só saibam porém que meu inglês não é lá essas coisas:
“Canta o canto à morte, oh canta-o!
Pois sem o canto à morte o canto à vida
Torna-se enfadonho e descabido.”
(The complete poems, Vol. III. D.H. Lawrence. London: William Heineman, 1957. p. 182)
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Haverá as coisas boas e as de que gosto?
May 19th, 2007 · 1 Comment
O Rafael levantou uma questão muito interessante em seu blog, fui responder e meu comentário acabou ficando bastante extenso. Transcrevo o comentário logo abaixo, mas não deixe de ler o post já citado e este.
“Sobre teus dois últimos post, ô polemiquinha! Difícil responder, hein.
Baudelaire, quando publicou suas flores doentias, foi acusado por uma parte da crítica de ser imoral, embora fizesse versos impecáveis, formalmente achavam-no muito bom. Ou seja: a crítica reconhecia que era bom o livro, entretanto este não lhe agradava!
Pra mim, há uma questão muito mais difícil: até quando a moral interfere na apreciação do livro?
Tristão de Ataíde (é assim que se escreve?), no prefácio de Os Peãs, do Gerardo Mello Mourão, diz mais ou menos assim: a moral é “dever” e a literatura é “poder” (no sentido de possibilidades), é libertação. Tristão mais ou menos repete o “não há livros morais ou imorais, há livros bem ou mal escritos” e segue também o pensamento de Sartre em o O que é Literatura?.
Guimarães Rosa não gostava nem de Machado nem de Joyce. Ele tinha seus argumentos, bons argumentos e que se justificam em relação a sua obra, sua valoração de literatura. Mas deve-se levar em conta que Machado era até então o maior escritor brasileiro e Joyce o maior e mais inovador do século XX…
Eu realmente fico confuso. Pode até ser que eu esteja enganado, mas agora não me lembro de nada que seja bom e de que eu não goste. Mas noutros momentos me lembro de ter falado: “há coisas que são boas e coisas de que eu gosto”. Mas talvez disso já haja até alguns anos, agora não me lembro.
Estou meio Auerbach, somente é bom aquilo de que gosto. Em meu atual Paideuma não há nada que não me agrade, não há nada ruim. Se um autor é muito descritivo e essa descrição não tem função literária, péssimo sinal; ele é ruim ou não tenho sensibilidade para perceber a iminente genialidade… E se eu não perceber como poderei gostar? E se eu não eu gostar como poderei achar bom??
Pensando-se exclusivamente em literatura: só é bom aquilo que é literatura, e eu só gosto do que é literatura.
Caso eu começasse a considerar livros como bons sem gostar, me sentiria um pouco formalista demais. Uma obra pode até ter toda uma construção formal e estrutural excelente, mas se não tiver aquela “coisa a mais”, aquilo que é a “poesia” e que nenhum crítico conseguiu definir. Realmente acaba sendo subjetivo e inefável (mas compartilhável)…”
→ 1 CommentTags: Literatura
Relendo meus já velhos poemas
May 17th, 2007 · 6 Comments
Ontem à noite e agora de manhã reli meu primeiro projeto de livro concluído, Os Paraísos Paralelos. Desde quando o tinha “terminado” (o motivo foi um concurso literário), já o olhava com certo desprezo, dizia aos amigos que era tedioso, e nunca foi por modéstia - vocês sabem que não sou disso. Tratava-o desse modo simplesmente porque era ruim. Havia alguns problemas óbvios, a pressa de terminá-lo mostrou-se patente, reuni nos Paraísos muitos exercícios de poesia.
No entanto, nem tudo se percebeu no momento. O que me levava a achá-lo tedioso? O que me causava repulsa em relação a ele? O Emmanuel Santiago, meu amigo poeta e quase impecável leitor (não posso deixar de dizer que tenho muita sorte com meus leitores, on-line ou não) fez uma exaustiva leitura crítica. Apontou bem os seus pontos altos, baixos, medíocres etc.
De toda a crítica que ele me fez, naquele momento não podia perceber muita coisa. Primeiro, porque eu tinha em mente numa estética totalmente diferente (mais abaixo falarei mais), depois porque muitos dos poemas não foram engavetados, então eu supunha ter escrito em poema o que eu sentia. Quase nada passava de projeção do meu momento. Os poemas agora não mais resistem a uma leitura minha.
Como disse no post anterior, há entretanto alguns poemas aos quais o Emmanuel já me tinha chamado a atenção. “Deus ex-machina, deus”, “Meu catálogo matinal de contrários”, “Cineasta ou espelhos seqüenciais”, e momentos de outros. Esses poemas também são os meus preferidos, exceção ao Catálogo, que é um poema muito Álvaro de Campos e pouco Diego Barreto Ivo, mas um de meus melhores. E não que isso não tenha sido comentado pelo Emmanuel.
Nesses poemas reconheço ainda algumas limitações, que procurarei refletir. Durante muito tempo minha poesia se fechava numa redoma de hermetismo. Cada vez mais eu tentava fazer imagens complexas e profundas, entretanto a profundidade psicológica ficava um pouco de lado e exibia-se meu “dom” para as coisas inteligíveis.
Ontem, veio aqui em casa um outro amigo, o Vinícius. Conversamos muito de Literatura, e por sorte passamos longe de técnicas. Falamos de mundo, de nós mesmos. Oras, o poeta só consegue fazer seus poemas quando se conhece. E essa é das partes a mais difícil. E uma coisa também muito difícil é reconhecer sua língua; além de muita psicologia, eu sou a Língua Portuguesa. Então não faz o menor sentido que eu busque uma solução um tanto eliotiana a um poema enquanto 1) eu não sou T.S., nem pretendo sê-lo; 2) sua língua não é o português, o que se pensa em seu poema é pensado em inglês e 3) ele por enquanto é melhor poeta que o Diego.
O Paulo Osrevni, do Para ler sem pensar (só ele sabe por que o nome de seu blog eu escrevi errado), tem um ótimo texto sobre línguas, Cada língua em seu lugar. (A propósito, o Antonio Cicero tem um post relacionado: A filosofia e a língua alemã.) Neste parágrafo do post do Paulo ele explica muito bem o problema com o qual nos deparamos:
O português é a língua perfeita para transmitir as impressões e sensações de um mundo que está dado e nos cerca, queiramos ou não. É a língua da conversa solta, da prosa que parece verso e do verso que parece prosa. Os franceses gostam de se considerar o povo da conversa vazia, o
bavardage , mas eles se expressam por convenções e fórmulas que só fazem enrijecer o discurso. Nós nos expressamos em ondas e marolas. Já os documentos oficiais, talhados para o francês, soam tolos e pretensiosos em nosso idioma, e a fala marcial do inglês nos empobrece.
Na minha conversa de ontem, o Vinícius defendeu que não há mais espaço para hermetismos. Não é querer ser um mero moralista, a Literatura ter de fazer tal ou tal coisa etc. Qualquer boa poesia está conectada ao seu tempo, a poesia reconhece e cria o mundo. Do que adianta haver um excelente sonetista se ele for puramente parnasiano? Além do mais, é bastante raro que um papagaio escamoteie a poesia de um verdadeiro poeta.
Não fui tão fechado a regras, mas não há como eu não dizer que não fui um papagaio de muita coisa. Mas também não há poeta que antes não tenha sido papagaio. Em Rimbaud, vemos nos primeiros poemas a papagaice e como ele vai se desprendendo de todas as marras até se tornar um barco bêbado. Mas o tempo não é mais de prodígios: o poeta, hoje mais do que nunca é para daqui a alguns anos, isso reforça que ele seja um resistente em relação ao mundo. “Suas asas de gigante impedem-no de andar”, como cantou Baudelaire em O Albatroz.
Em Deus ex-machina, deus reconheço a minha língua e conheço a mim mesmo, menos em alguns momentos. Será que é por que eu conheço ali a língua brasileira ou é por que eu me reconheço que há a língua brasileira? O poema está prosaico, artificialmente despojado, tranqüilo, mas em seu amago terrível, incomoda.
Os poetas que não escrevem para incomodar deveriam se tornar publicitários.
→ 6 CommentsTags: Coisas
Resgatar o baú
May 17th, 2007 · No Comments
Acabei de imprimir Os Paraísos Paralelos. Para quem não sabe foi o meu primeiro livro. Aliás, eu nunca fiz um livro. Os meus Paraísos foram uma reunião de poemas (a maioria apressada) para um concurso português que, como se vê, não cheguei perto de um resignador troféu e alguns euros. Na verdade, só publicariam o livro. E, como não tenho livro, melhor assim. Pode haver coisa pior do que se juntar a essa massa de poetas medíocres afoita em ter o nome estampado em uma edição “iscortéte”?
Sinto-me contente, agora. Faz uns seis meses que os poemas estão engavetados, inalterados, em estado de pós-pureza, virgens e incautos. Ah, que bom será rever isso! Rever a mim mesmo, rever a poesia, rever o que na época só eu julgava poesia. Rever o que devo resistir embora meus anseios poéticos já sejam totalmente outros. Talvez me valha exclusivamente pelo aprendizado; excessão por enquanto a um poema, Deus ex-machina, deus, que o Emmanuel, poeta e amigo, me trouxe à tona. Até por isso que eu fui resgatar meus poemas…
Hoje um outro amigo veio para casa e discutimos muito sobre literatura, mais espiritual que tecnicamente, se é que vocês me entendem. Bom que a conversa se remeteu logo a nós mesmos. “Conhece-te a ti próprio”. Que poeta não se conhece? Que há de mais difícil que se conhecer? Mas esse poema acaba que me ajuda em muitos problemas; eu tinha nesses últimos tempos um certo curso da minha poesia, e desviei. E, caso realmente eu venha a me (re)encontrar, nada deverá ter sido tão bom quanto esse desvio. O poema com breves alterações:
Deus ex-machina, deus
O que penso que sei e que posso
é uma artimanha dos deuses
Quanto mais me descobria tranqüilo,
é que tudo se impregnava
O ateu afinal lhes é a raça mais valiosa
porque os faz deleitar-se em um incrível escárnio
com o extremo oposto crente em provar
o contrário de toda a VERDADE. Ó pobrezinhos!
Sua ficção é uma realidade
como se não fosse o que nós queríamos,
e isso cai-lhe como uma luva, dominamo-lo!
à negação do afirmativo,
a afirmar a negação
sempre vou de encontro ao pressuposto de um oposto,
e eu estou convencido, quero isto
e aquilo (para não aceitar,
sequer negar)
e ter todas as certezas
de toda e nenhuma completude…
e eu também deles, pois seu Mito,
mais o mito que lhes sou:
Conviver, conveniência
— ao menos na necessidade
dos meus imaginários e tramas
→ No CommentsTags: Poesia · Coisas
May 15th, 2007 · No Comments
A exemplo do poema anterior, Rimbaud cantando no Limbo, ando escrevendo a lapsos. Desde o Blues ao tempo não escrevo um poema verdadeiramente. Rabisco, rabisco muito, quase não há dia em que não faça ao menos anotações. Entretanto, preciso anotar melhor de poesia e de dias.
Isto é, preciso de um diário só meu, um diário onde eu escreva para mim, até para me conhecer. E preciso de poemas; nesses tempos, pelo menos dois me ocupam a cabeça boa parte do dia. Mas não saem… E confesso que fico aflito. Nunca mais penetrei surdamente no reino das palavras, aliás quanto mais lhe vou em busca, mais escapam. É claro que a poesia é essa busca, mas a busca por agora é apenas para-mim, escamoteou a poesia…
E, caso eu não me torne um grande poeta, quem sabe o meu diário não se o torna!? Rá! Isso é muito corrente, poetas que não faziam tão grandes poemas quanto os seus diários. Fugiu-me algum nome para exemplificar. E estou com preguiça de pensar.
Aliás, estou pensando em atualizar o Perambulagens diariamente, ainda mais com a mudança que estar por vir. Adianto-vos, um coletivo. Temos um nome muito bom (mas não digo qual é), os vizinhos são inteligentes e escrevem bem, de alguns já sou amigo, alguns conheço pessoalmente.
Mas por aqui tudo parado. Amanhã tenho prova de latim, estou enfiado no meu Reading Latin. Aprendo latim e reforço meu inglês.
Breve, tudo.
Breve tudo se estabilizará, breve deletarei este post, que é inútil…
→ No CommentsTags: Coisas
Rimbaud Cantando no Limbo
May 3rd, 2007 · 2 Comments
Limbo vazio,
hoje assovio:
Todas as almas!
Por que tão calmas?
Limbo vazio,
hoje assovio,
Só escuto os passos
Do que não faço…
Limbo vazio,
hoje assovio,
Já tive o Mundo,
sabia a fundo
as alegrias
e as alquimias.
Limbo vazio,
hoje assovio,
Não mais invento,
já sei o vento.
Limbo vazio,
hoje assovio:
Vida pequena
Não vale a pena!
→ 2 CommentsTags: Poesia
Our everyday pain, my qualm, happiness
April 29th, 2007 · 1 Comment
Eu estou querendo alguma coisa, não há a coisa que se quer; apenas se quer. Procuro, então tenho que querer, assim fico querendo o que não há… e logo fico um pouco inane enquanto encostado no parapeito da varanda olho a paisagem e o prédio que me barra a vista.
Perdi o senso das palavras. Elas me fogem, estão em estado selvagem. Algumas: só as reconheço em dicionários, elas não me existem. Eu sinto o peso das palavras, a perda da realidade ordinária.
Tenho tudo para ser feliz, já que não sou essencialmente triste. Mas não me agrada a idéia de ser feliz, porque a felicidade é uma espécie de perfeitização da vida — e eu só quero ter muitos problemas para (me) resolver e (me) conduzir. Viver. Ser-me.
PS: “Deve ser amor, só pode ser amor o que Mersault está sentindo.”
→ 1 CommentTags: A doce vida
Um trabalho crítico
April 26th, 2007 · 2 Comments
Um crítico aí foi tomado por um impulso genial e talvez incontrolável: “Imagina que Walter Benjamin, ao escrever sobre Baudelaire, falou de sua instabilidade pelos espaços; e Baudelaire (que se mudava freqüentemente) como flâneur etc e tal – realmente um trabalho querido. Benjamin entretanto limitou a iminente profundidade de sua visão ao ignorar a relação intrínseca do poema e desses espaços que desfilavam vertiginosamente em sua Paris. Hei-de escrevê-lo, creiam.”
Portanto, trago a ele uma dica, entretanto é por puro pedantismo; melhor do que dica: uma referência bibliográfica, um método, um alento igualmente infalível: o daquele outro crítico (sulista?) que conseguiu dar cabo de como a cidade de Mariana (Minas Gerais, junto à minha saudosa Ouro Preto) e de uma em Santa Catarina (será esse o estado?), Desterro (hoje Floripa pros íntimos), são as únicas que puderam produzir poetas simbolistas: Alphonsus Guimaraens, Cruz e Sousa etc. A resposta está no ar: é claro que é o clima (mas lembre-se justamente das sombras). E agora falo por mais pedantismo ainda, já que não li esse crítico (mas quero; dói-me entretanto que esqueci seu nome…): o verde do mofo (natureza) rompido pelo verde odor do absinto (artificial) transubstanciam-se num verde-terceiro que o poeta inspirou como um sopro divino. A excreção, melhor, o que expira, transpira é poesia simbolista.
Baudelaire vivia em Paris e em mudanças, e em multidões, mas acho que ninguém tratou através de fenomenologias do ar infiltrando-se nos miolos do poeta parisiense (não contam ares de haxixe e ópio, quiçá os espíritas – como recentemente tentou analisar um estudante e neo-espírita da UFC). Como cada ar trazia determinada sensação, sentimentos, emoções e verdades!
Mas esse é um trabalho árduo, deveria ser pra doutorado. E da Academia é esperado que o aceite. Ufa!
→ 2 CommentsTags: Acontece
Viver como arte
April 24th, 2007 · No Comments
Nem só de literatura o homem vive. Precisa de artistas em sua vida. Continuo no pensamento que abordei no post O artista e a obra de arte, o de que o artista vem antes do poeta, e bom poema só atesta seu eu artista, e isto é o artista como poeta. Não só os poetas são artistas. Mas não há poeta que não seja artista. Senão quando confundem as bolas: hoje há cada vez mais gente “poeta” antes de ser artista. O poema mergulha na realidade, contudo numa espécie de libertação. O artista é um ser de certa forma, por alguns tantos momentos, liberto da realidade. Não há realidade em poesia. A realidade é um paradigma da “nova” experiência que de certa forma “transcende”. O texto jornalístico é a “plausível realidade”. Expressão essa de Fernando Pessoa em sua Tabacaria: “E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.” Mas aí ainda estamos na “realidade” que propõe o poema; não é a nossa pura realidade. A lírica é, não discordo de Adorno, um movimento de negação. Sem entender disso melancolia ou qualquer sentimento específico. Acho que o poeta afirma negando embora sempre tente dizer que afirma.
Espero que vocês possam entender isso num já velho e-mail de uma amiga que ontem encontrei enquanto reorganizava minha caixa postal. Ela responde a um poema que lhe enviara. O poema é um plágio de um poema do Fernando Pessoa, mas não um plágio completo. É um bom poema, dos melhores que eu já fiz, entretanto como não encontrava nem um pouco qual a minha expressão como artista, me assegurei nas formas já fáceis. Isso é necessário ao processo de amadurecimento, sei. Hoje, talvez eu ainda não tenha um poema tão bom quanto aquele, mas decerto hoje já tenho poemas; dois ou três, é verdade, mas são poemas meus e não de outro poeta. Duvido que um poeta hoje corresponda a sua expectativa de ser Rimbaud e poder abandonar a poesia aos vinte anos. Ou que uma outra Clarice também exploda como uma orquídea num asfalto. A literatura vive um momento wasteland, terra seca, perdida e incógnita, mas não tanto desolada, na verdade de alguns poucos verdadeiramente desolados — e apenas estes são os artistas que haverá, e deles ainda menos serão poetas, músicos, pintores etc.
E tenho um infinito prazer em viver entre eles. Eu tenho pessoas em volta de mim que são artistas. Os artistas mantêm relação dionisíaca com a realidade, pelo menos em seus momentos de artista. Os loucos foram tão artistas que abandonaram seu artista e tornaram-se loucos. Preocupo-me com isso.
Não conheço poeta mais insano que William Blake, se tivesse um tantinho mais de fé em sua arte seria um louco varrido. Mas Blake é de uma loucura que nos instiga muito. E embora esteja no limiar da loucura é um grande artista e poeta. Assim como poetas bíblicos, Dante, Shakespeare, Drummond, Cabral ou Kaváfis etc. Mas acho que nenhum desses tenham tanto a loucura como matéria — sem que isso seja nem melhor nem pior. Blake tem. Minha amiga fala da realidade, de seu projeto de realidade. Ah! Tirem suas conclusões lendo esta vontade em relação a vida. Vontade de colocá-la como vida e a si como indivíduo. Falei demais!
Ah, só mais uma coisa. Neste fim-de-semana encontrei um poema que um amigo me dedicou sem que nunca me dissesse. Se fosse eu quem tivesse feito, contaria, não para puxar saco ou nada, mas por que me pus naquilo tentando pensar em outro. Sim, entrega-se. Nesse sentido, o que ninguém faz é melhor, por favor. Publica sem alardear, sendo que por outro lado está gravado no blog. Tive vontade de chorar, o poema com a dedicatória para mim. Eu me emocionei assim como este e-mail de minha querida amiga:
Olá !!!
Seu poema me lembrou uma frase do Goethe “não há nada mais insuportável do que uma sucessão de dias felizes”rsrsr … Acho que São Paulo tem te feito muito melhor do que imaginava … segundo Freud nós só podemos gerar um prazer intenso dos contrastes, um estado permanente de coisas só pode nos trazer um prazer mínimo e ineficaz, talvez seja sempre esse o prazer-limite das pessoas na sala ao lado, e talvez seja por isso que eu bebo, enquanto você lê Sá Carneiro, e bebo cada vez mais insaciavelmente, assim como vc mergulha cada vez mais, talvez, numa melancolia do absurdo, e não importa pra que lado caminhamos, se pra ostentação dos prazeres mundanos, pro prazer da pseudo-liberdade que ostentamos qnd bebemos, pra suposta possibilidade de que somos capazes do mundo num único gole, seco e amaldiçoado, porque qnd a gnt bebe também desafia a si mesmo, se permite cometer tolices, pq entende que a vida não é só feita de ar e idéias, e no fim amanhã ninguém lembrará de mais nada, daqui a cinquenta, cem anos tudo terá mudado, e não fará a menor diferença, se vc foi feliz ou não, se vc se satisfez ou não, tanto no contemplamento intelectual qnt na embriaguez chegamos no mesmo desespero do nada, é qnd bebemos ainda mais, é qnd agimos procurando num movimento esquecer q não há motivo pra mais um copo, que não há nenhum outro motivo além da efemeridade das alterações sinapticas, é qnd vc escreve ainda mais, pq escrever é resgatar um determinado momento, e dar-lhe um sentido maior, e é justamente quando vc se desvincula do que escreve, qnd passa a falar de coisas e impressões que podem remeter a qualquer um, que se torna válido, é a eterna tentativa de algo sólido, que dure, pq um homem no quarto escuro, divagando o fracasso e a inutilidade da vida, vai existir sempre, petrificado num papel, mas o papel pode se extinguir, e não acredito que a arte tenha esse poder de romper com o tempo,. rsrsr mas já viajei demais … mil desculpas…queria dizer que gostei do poema, acho q vc atingiu essa impessoalidade tão necessária, está muito diferente de tudo q já li, mais denso, cético, e tão interessante qnt o poema da Manga, que eu e o * recitamos …rsrsr pois eh, o álcool as vezes nos dá a felicidade de poder recitar um poema teu rsrsr e a vida não tem sentido mesmo não …soh movimento … espero conseguir mesmo ir a SP, eu te aviso se nós conseguirmos ir …
bjussss pra ti !!!!
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