Perambulagens


Um trabalho crítico

April 26th, 2007 · 2 Comments

Um crítico aí foi tomado por um impulso genial e talvez incontrolável: “Imagina que Walter Benjamin, ao escrever sobre Baudelaire, falou de sua instabilidade pelos espaços; e Baudelaire (que se mudava freqüentemente) como flâneur etc e tal – realmente um trabalho querido. Benjamin entretanto limitou a iminente profundidade de sua visão ao ignorar a relação intrínseca do poema e desses espaços que desfilavam vertiginosamente em sua Paris. Hei-de escrevê-lo, creiam.”

Portanto, trago a ele uma dica, entretanto é por puro pedantismo; melhor do que dica: uma referência bibliográfica, um método, um alento igualmente infalível: o daquele outro crítico (sulista?) que conseguiu dar cabo de como a cidade de Mariana (Minas Gerais, junto à minha saudosa Ouro Preto) e de uma em Santa Catarina (será esse o estado?), Desterro (hoje Floripa pros íntimos), são as únicas que puderam produzir poetas simbolistas: Alphonsus Guimaraens, Cruz e Sousa etc. A resposta está no ar: é claro que é o clima (mas lembre-se justamente das sombras). E agora falo por mais pedantismo ainda, já que não li esse crítico (mas quero; dói-me entretanto que esqueci seu nome…): o verde do mofo (natureza) rompido pelo verde odor do absinto (artificial) transubstanciam-se num verde-terceiro que o poeta inspirou como um sopro divino. A excreção, melhor, o que expira, transpira é poesia simbolista.

Baudelaire vivia em Paris e em mudanças, e em multidões, mas acho que ninguém tratou através de fenomenologias do ar infiltrando-se nos miolos do poeta parisiense (não contam ares de haxixe e ópio, quiçá os espíritas – como recentemente tentou analisar um estudante e neo-espírita da UFC). Como cada ar trazia determinada sensação, sentimentos, emoções e verdades!

Mas esse é um trabalho árduo, deveria ser pra doutorado. E da Academia é esperado que o aceite. Ufa!

Tags: Acontece

2 responses so far ↓

  • 1 manoela // Apr 27, 2007 at 14:08

    alow diego, q texto bom hein! fique tranquilo, pois há poucos benjamins por aí para serem reprovados injustamente hehehe. quanto ao “o verde do mofo (natureza) rompido pelo verde odor do absinto (artificial) transubstanciam-se num verde-terceiro que o poeta inspirou como um sopro divino” = é uma questão de tradução. mais tarde vou te enviar uns trechos q ando lendo aqui, do ortega y gasset. um beijo, tenho q correr :)

  • 2 Vinícius // May 2, 2007 at 11:09

    Imagine então que belas poesias sairiam do contato com a Coca-Cola que nos proporciona a idade hipermoderna, hem?

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