Acabei de ler no Cronópios um belo texto publicado pelo antropólogo Marko Monteiro sobre um vídeo que ficou famoso no You Tube, o Noah takes a photo of himself every day for 6 years. Não me parece, no entanto, que seja só mais um vídeo; diz Monteiro: “por exemplo, o contraste entre a continuidade (dos olhos, do rosto, da boca) e o fluxo estonteante de locações, iluminação, posições que transcorre em segundo plano. A sucessão rápida das fotografias cria, de fato, uma imagem de um “fluxo da vida”: somos levados a sonhar o desenrolar de um pedaço da vida de alguém; buscamos por sinais de envelhecimento, ficamos maravilhados com as mudanças incessantes de estilos de cabelo, ficamos surpresos com a invariabilidade das olheiras”.
O Noah takes a photo of himself every day for 6 years é um dos momentos mais líricos do que se produziu na Internet. O som de fundo melancólico, o semblante sempre igual, sempre sério, gera a idéia de que a vida passa em flashes. Mas isso não quer dizer nada…
Trata-se de uma obra em andamento, porque se no começo mesmo o autor não parecia ter muita idéia do que fazer, a não ser tirar uma foto sua, depois os espaços ao fundo vão girando em torno de Noah, criando a tensão de um espaço construido a partir da realidade.
Esse fluxo da vida, em flashes, sem ter aonde ir, parece representar artisticamente essa nossa condição de homem contemporâneo. O vídeo não tem começo, meio ou fim, apenas uma ordem cronólogica.
Um vídeo desses é melhor do que toda uma Bienal.
Acesse o vídeo aqui: youtube.com/watch?v=6B26asyGKDo.

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