Acabei de imprimir Os Paraísos Paralelos. Para quem não sabe foi o meu primeiro livro. Aliás, eu nunca fiz um livro. Os meus Paraísos foram uma reunião de poemas (a maioria apressada) para um concurso português que, como se vê, não cheguei perto de um resignador troféu e alguns euros. Na verdade, só publicariam o […]
Entries Tagged as 'Poesia'
Resgatar o baú
May 17th, 2007 · No Comments
Rimbaud Cantando no Limbo
May 3rd, 2007 · 2 Comments
Limbo vazio,
hoje assovio:
Todas as almas!
Por que tão calmas?
Limbo vazio,
hoje assovio,
Só escuto os passos
Do que não faço…
Limbo vazio,
hoje assovio,
Já tive o Mundo,
sabia a fundo
as alegrias
e as alquimias.
Limbo vazio,
hoje assovio,
Não mais invento,
já sei o vento.
Limbo vazio,
hoje assovio:
Vida pequena
Não vale a pena!
Tags: Poesia
A insone bala perdida
April 20th, 2007 · No Comments
Ainda de pé esforço-me no desejo de não sucumbir,
embora sucumbir cabalmente seja tudo o que desejo.
Reconheço-me entre papéis melancólicos e sinceros
que espreitam, deixam triste e escuro o dia.
A noite cai, porém se perpetua ainda o tiro no claro.
Paranóicas, as paredes perambulam o quarto,
e o quarto bem que poderia fugir por sua janela
feito uma bala nos […]
Tags: Poesia
Blues ao tempo
March 10th, 2007 · 3 Comments
Para Wendel Vasconcelos Sampaio, meu amigo
A memória, cheia de desejos, caçoadestes dias brutos;a vida se projeta despojadanum pranto embotado, no entanto.
Desabrochará? Quando poderei,despetalandoas pálpebras da vidauma a uma, revelar-me o esperadoou surpreender-me? Ah,as flores do vazio, então.
Se o sol não ecoasse o que cometitalvez ainda achasse feiasas rainhas esposas dos caranguejos,cascas horrorosas, patasperigosas.Tempo cru, portanto.
Úmida […]
Tags: Poesia
Do Desejo acorrentado
February 25th, 2007 · 1 Comment
Refugio-me em pensamentos
sórdidos, e a aurora, se expondo
sem pudor e distante, no abandono
da noite, evidencia Desalento,
postos sua astúcia maligna
de desiludir e seu escárnio
indecente ao pressentir a continuidade
do curso; entre um cigarro
e outro, fumaça e neblina, frio
e a brasa à ponta, que ilumina
e se reduz – o Sol
orgulhoso vem tomando (banhando)
para si as formas arquitetônicas
naturais e […]
Tags: Poesia
Do Falsário da Irreconhecível pintura
February 12th, 2007 · 17 Comments
Há um arbitrário implícito
nestas ruas estúpidas:
o de que devemos prosseguir;
Dissolver-me nessa vereda
é extasiar-se sem alento:
me aproximo e te repulso;
Feito união com distinção:
como um pintor que, deslizando
tinta a esmo, não cedesse a um impulso.
Há, sim, Temor, já que caminhamos.
Continuamos, como se me propusesse
expectativas, e no entanto há morte:
és iminente!; Deus, inacessível, turvo…
E há tantos sentidos cogitáveis […]
Tags: Poesia
A expectativa de um homem só
February 8th, 2007 · 3 Comments
Escuto os passos de um soldado
saídos do contato forte e difícil
de seus coturnos sobre a calçada
como se exalasse o impasse de uma batalha
em breve, e isso o tornasse inseguro
e soturno, lá dentro, e exausto
no seu olhar rígido e altivo, exprimindo
contra o chão o luto de ter de continuar.
Ele seguia decidido em resolver a intriga
a que […]
Tags: Poesia
Alquimia
November 22nd, 2006 · 2 Comments
Homens sem rosto emulam-se,
transmutam máscara em barro,
reinventando um terrível regaço
onde quedam-se fadas de absinto.
Cortinas abertas: gentlemen concretos
—
Trata-se do primeiro poema que fiz e ainda hoje considero-o um poema. De julho de 2006, talvez.
Tags: Poesia
No bar Sereia
November 14th, 2006 · 1 Comment
“Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!”
(Pessoa, Lisbon Revisited)
Desentranhar-se da sombra.
E poder fazer tudo em segredo.
Ou não querer fazer nada,
Decidir-se pelo ócio.
Caminhar por ruas ermas.
E de repente alcançar
Um boteco vagabundo.
Porém ir-se embora sem
Ao menos ter-lhe adentrado.
Só porque lá não te queres.
Então imaginas “Se
Bebesses, neste […]
Os novos poetas brasileiros
October 10th, 2006 · 11 Comments
A literatura brasileira contemporânea, não é difícil dizê-lo, ainda não apresentou nenhum grande poeta; no máximo surgem uns escatologicos que parecem nunca ter lido Catulo ou Horácio, e acabam por encerrar sua poesia em algo que visa apenas a chocar o leitor; ou outros que, menos mal, ainda que apresentem uns poemas bonzinhos, ou não […]
Tags: Poesia
