Perambulagens


Aspectos

March 27th, 2007 · 1 Comment

Como se eu tivesse com uma predisposição genética de exatamente no dia 27 de março de 2007 jogar futebol, hoje eu o faço. Como não tive o segundo horário na faculdade, andava pelos corredores; umas amigas me chamaram para ir ao CEPEUSP, lá onde aqui se pratica esporte, para jogar futebol. Não jogo há uns quatro anos! Mas, bem, nada havia para fazer; além do mais agradava-me essa idéia.

Assim, lá fui eu. Para os que não me conhecem, vale dizer que, sendo fumante, para nada tenho fôlego. Enquanto elas (além de mim, apenas meninas foram jogar) se trocavam, fumei um Camel e (re)tomei a leitura do Sartre. Uma heresia, inaceitável fumar e ler em lugares fitness…

Começando a jogar (no melhor estilo dois-na-linha-um-no-gol), fui goleiro, me cansei. Quando fui para a linha, e já que elas se correspondiam ao preconceito de mulher não jogar bem, foi como se eu jogasse bem desde sempre. Como quando eu tinha dez anos e era esperançoso de um dia ser jogador de futebol. Mas é claro que isso não me ocorreu. Uma simples memória de minha infância preenchendo o instante como uma sensação que imitava aqueles tempos, contente.

Depois, acabou o jogo, fui almoçar e não senti nada de nostalgia, não queria que nenhum tempo voltasse, porque suponho que não haja melhores ou piores, a vida simplesmente é, realidade plausível, e a única cosia importante é chegar a algum lugar.

E o que faço é apenas isso. Gosto dos problemas. Não por que sejam “desafios olímpicos”, mas pelo simples fato de eu ter de seguir, atravessar, viver. Eu já me estagnei, conheço o Tédio. Quero uma vida com certos deveres, expectativas, embora possam elas não me significar nada no dia seguinte. Acho que também sou trezentos e cinqüenta, quero cinqüenta coisas ao mesmo tempo. E eu não me importo com nada.

Talvez eu me iluda, porque o mais doloroso e difícil talvez seja o morrer, que é o caminhar para a morte, ou seja, viver. Iludir-me-ia eu porque não sinto tanto peso por viver. O único inferno é minha consciência e do que eu me despojaria. Justamente aquela desgastadíssima do Satre “o inferno são os outros”. Mas não tenho muita moral, apenas os mínimos “preceitos” de ética, apenas os que julgo necessários para o convívio social. Mínima moral possível.

E igualmente distante de achar que eu seja melhor ou de achar que seja pior. Há coisas tão tacanhas. O melhor só é ser enquanto não se pode sê-lo. Talvez isso ajude a resignar-me. Ser, defender o que é necessário para si. Como uma espécie de poética – afinal quando o poeta define poesia ele arrisca apenas o que lhe é mais conveniente. O poeta que tenta dar conta de todos os bons poemas para explicar o que é essa “emoção estética” chamada poesia, ao menos como “crítico” está fadado à mediocridade. O melhor ponto de vista é o seu, porque o ponto de vista nunca importa. Usar a poética dos outros é suicídio involuntário. “Conhece-te a ti próprio”.

Há algum tempo, o que me importa é poder viver no País das Idéias e ter a realidade apenas como paradigma para o excesso, para as idéias. Deixa-me muito triste os elementos burocráticos, senão aqueles estritamente necessário e que sem eles não poderíamos condenar uma vida burocrática – mas só por essa condenação vivemos. Ah, estou cheio de contar-me.

Tags: Coisas

1 response so far ↓

  • 1 Ed // Mar 29, 2007 at 16:08

    Olá. Eu utilizei este layout hoje no meu blog, crê? Mas já mudei pra outro. Enjôo fácil.

    E eu sou péssimo em futebol.

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