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O bom poeta…

December 8th, 2006 · 6 Comments

Um poeta que escreve bons poemas mas não consegue fazer com que seus poemas sejam ele mesmo conseguirá ser um bom poeta?

Sim, acho que tenho alguns bons poemas, porém eu não me sinto profundamente em nenhum deles. Faço poemas com outras vozes, sobretudo as de Ezra Pound, T.S. Eliot, Fernando Pessoa e alguma coisa de Baudelaire.

Poemas que poderiam ser escritos por esses poetas em algum momento de juventude. Mas não poemas que sejam eu mesmo, Diego Barreto Ivo.

Porque eu não consigo saber quem eu sou, sequer consigo pôr essa dúvida em meus poemas.

Escrevo versos bonitos em formas de outros poemas canônicos.

E, assim, poderão os meus ser bons poemas?

Não, suponho que não. O que eu faço decerto são anomalias, pastiches de grandes poemas.

Tags: Coisas

6 responses so far ↓

  • 1 Allan // Dec 8, 2006 at 7:10

    Um poema não precisa ser o poeta, mas é mais fácil escrever sobre o que se conhece. Ainda que tudo só exista na imaginação do escritor.

  • 2 Vinícius // Dec 8, 2006 at 15:03

    Primeiramente, corrigindo Allan: o poema precisa ser o poeta uma vez que é o poeta. Se não for não é poema.

    O problema é quando seu poema não anda paralelo ao ritmo de sua consciência. Ele pode estar paralelo à sapiência canônica de outro escritor, mas raramente você vai se esquivar completamente deste outro. O necessário é que os poemas provem que, ao invés de você ser apenas mais uma vereda do poeta anterior, você se torna mais um rio, genial em sua essência por transmitir a si mesmo.

    A única forma de aproximar os outros é aproximando-se de si mesmo. mas você não é apenas a influência de outros textos. A influência de outros textos só se revela na sua obra, ams o que há de seu é apenas a distorção que sua alma aplica ao que é do outro. A arte se comunica através dos tempos desta forma.

    Literatura é um asilo de mortos-vivos; o novo escritor tenta se matar e fazer o próprio epitáfio, renascido após a consciência da queda.

  • 3 Manoela // Dec 12, 2006 at 13:00

    meu querido amigo… sinto isso também, é uma questão da arte… a obra é o artista. te garanto uma coisa: é preciso produzir muito, entregue-se aos seus delírios, medos, amores e alegrias… com certeza, na vida do artista é preciso existir risco, ousadia, um “dar de ombros” incessante e um fazer sem fim. entrega. e tempo, o tempo é condição para maturidade da obra. a caminhada pode ser longa, mas não deixe jamais o excesso de auto-crítica travar a produção… que os poemas venham, sejam bons ou maus, que existam… deixe-os para a posteridade… mas exorcize tudo, vomite tudo… eu penso assim o meu trabalho, não sei onde chegarei, mas vou andando a passos lerdos. bjão e bom fim de ano!

  • 4 Emmanuel // Dec 13, 2006 at 19:06

    Diego,

    Não se angustie tanto, isso é um caminho natural que deve passar todo poeta. Você está sofrendo de “angústia da influência”, isso é positivo, pois os amadores nunca chegam nessa fase.

  • 5 Eliane // May 14, 2008 at 22:43

    Certas vezes eu penso que os poemas se escrevem sozinhos.

  • 6 fernandes // Oct 11, 2008 at 11:30

    isto depende, mais na maioria da vezes um poema precisa ser o poeta.

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