Agora o pessoal da Ajato enfim voltou com a internet aqui em casa. De volta ao mundo, desde quinta estava me perdendo por aí. A Myriam, essa imoral, até teve tempo de criar seu blog (ela está devendo que eu lhe pague uma cerveja). É que teremos um longo tempo de greve na USP. Agosto? Setembro? A data de volta é incerta, mas sabemos que temos um longo longo tempo para lermos do que quisermos. Nada de fonética e fonologia, viva!
No último dia de biblioteca aberta peguei os dez livros a que tenho direito, na verdade preenchi os dez slots, como dizemos. Minha lista: Complete poems of D.H. Lawrence (volumes II e III — ah, mato quem pegou o I), Poetic of Indeterminancy de Marjorie Perloff, Breviário de Estética de Croce, Poesia completa de Rimbaud (tradução Ivo Barroso), Retrato hablado de Rimbaud, Rimbaud livre (tradução de Augusto de Campos — bastava eu dizer Haurusto… vocês logo entenderiam que se trata de um dos que fazem traduções recreativas), Rimbaud: das Iluminuras a América (mais ou menos isso, de sei-lá-quem Vasconcelos), Lírica trovadoresca do Spina e… faltou eu me lembrar de um. Ah, mas pra quem não anda se lembrando de seus vinte anos já nem recentes está ótimo.
Nesse tempo aproveitei para pensar em poemas e ter algumas boas notícias. Publicaram-se meus primeiros poemas, na zine Le mur, que tem apoio da Aliança Francesa de Goiânia. Na verdade isso já faz umas duas semanas. Ainda quero postar sobre a zine. Nesse tempo offline, na verdade, saiu outro texto meu, o primeiro em livro! É o posfácio de O elefante infante de Kipling que a Musa Editora lançará na Casa das Rosas neste sábado. Talvez amanhã eu poste o texto integral aqui. A edição ficou primorosa. Ah, neste dia será lançado também O sapo apaixonado de Donizete Galvão, também pela Musa. Quero falar de ambos.
Ando inventando comidas e coisas pra dizer — além de outras pra guardar. Vocês devem imaginar que, sem bandejão, eu tenho que cozinhar; sem aulas, tenho que inventar meu programa de estudos.
Hoje fui à Editora Cortez comprar um caderno porque quero pôr em prática um diário. Acabei levando também um caderno quadriculado e Algumas partituras do Gerardo Mello Mourão. O primeiro, porque o Beckett os usava para escrever: gostei da idéia e quem sabe se assim não herdo seu talento? O segundo, edição já esgotada, não podia ficar ausente da minha estante. Além do mais faz um tempinho que não compro livro. Contenção de gastos, ando economizando até em cerveja. Pode?
Fico pois por aqui. Alguns blogueiros talvez resmunguem de eu estar escrevendo, não trabalhando com o Wordpress MU. Mas já estou saindo… Fiquem com a primeira estrofe que traduzi do Sing of death do D.H. Lawrence. Só saibam porém que meu inglês não é lá essas coisas:
“Canta o canto à morte, oh canta-o!
Pois sem o canto à morte o canto à vida
Torna-se enfadonho e descabido.”
(The complete poems, Vol. III. D.H. Lawrence. London: William Heineman, 1957. p. 182)

3 responses so far ↓
1 myriam // May 30, 2007 at 3:15
O que me conforta, mesmo sendo chamada de imoral, é saber que “Baudelaire, quando publicou suas flores doentias, foi acusado por uma parte da crítica de ser imoral, embora fizesse versos impecáveis […]”
Meu crédito em cervejas aumentou, depois dessa.
2 Lorena // May 31, 2007 at 15:10
Economizar em cerveja, em livros, em cigarros, em poemas, economizar em pensamento e em imaginação. Não, não vou compor um grito de repúdio ao mundo cão que nos priva de nossos prazeres mais essenciais, não vou, pois é preciso economizar também os gritos, a voz, os pulmões lacerados, a garganta carcomida (não me mandem parar de fumar!), é preciso economizar a poesia… Os Macabristas que me perdoem copiá-los assim.
Passo apenas para confortá-lo com a lembrança feliz de que amanhã é dia de embriagar-nos de vinho e virtude, como diria o imoral do Baudelaire - embora acredite que você não tenha esquecido.
E, a propósito, sua tradução de Lawrence está sapequinha, feliz, me deu vontade de dizer: ah, Diego, seu malandro, não te cansas de perambular os reinos dos outros!”
Argh, detesto esses dias em que estou toda Anabel.
3 Lorena // May 31, 2007 at 15:11
E lá em cima é “embriagarmo-nos” ¬¬
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