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Sobre a volta a Ouro Preto…

November 21st, 2006 · 3 Comments

Talvez seja justo que eu deixe a minha posição sobre o post Vou-me embora para Ouro Preto?.

Eu já havia me decidido há alguns dias, nada postei. Veja-se o comentário maravilhoso que a Lorena, amiga paraense daqui de São Paulo, deixou no blog:

Lorena diz:

  • Discordo, até que a esterilidade artística do nosso microtempo se mostre definitiva, dessa história de “a experiência humana decaiu”. Benjamin que me perdoe, e você que o parafraseia, mas o termo decaiu é não só equivocado como triste, pois evoca uma profunda ignorância quanto à riqueza da nossa época, do nosso tempo, que já não é o de Benjamin, mas um outro que ainda não descobrimos.
    O problema é esse: ainda não descobrimos como comunicar nossa experiência. Ainda não sabemos, nós, rebentos dessa nova era sem nome, como compreender a miríade de coisas nascendo explodindo enfim coisando a cada segundo (para imitar a prosa de Rosa, em homenagem ao Vinícius).
    São Paulo é lindo, é rico. O nosso século (se é que ainda é próprio separar os tempos em séculos - acho que hoje há uma revolução no caos a cada dez anos) é deslumbrantemente fecundo. Se você voltar a Ouro Preto precisarei te dar uma porrada, pois estará a trocar o complexo de sua situação atual pelo confortável que você encontra em seu porto, mas que, perdoe-me novamente, não duraria ao sempre. Antes de ir para a Europa descobrir suas verdades você arrumaria um filho, um emprego e uma mulher para lavar trouxas e trouxas de roupas todos os dias. Pense nisso. Poesia só se faz a partir do complexo. A era em que vivemos é complexa e carente de verdades, há espaço para se fazerem todas as revoluções: há poesia! E atrás de nossos olhos cresce nossa experiência…
  • A minha decisão é um tanto quanto óbvia, decidi que não irei me decidir.

    Tags: Coisas

    3 responses so far ↓

    • 1 Allan // Nov 22, 2006 at 22:21

      Afinal, decida-se.

    • 2 Vinicius Melo Justo // Nov 25, 2006 at 17:54

      Realmente, acertadíssimo o que Lorena disse quanto ao ser complexo. Acredito que a grande missão da Literatura, depois de Proust, Kafka e Joyce terem encontrado o lacônico no humano, é voltar a um estado de graça, como lemos em Rosa e Marquez. Houve outra quebra desse modelo, e hoje em dia a Literatura envereda por caminhos limitados. Representar a Babel sem exageros, sublimar sua experiência, é o que deve o literato.

      E o que é o literato senão uma representação do agon humano? Joyce, Kafka, Proust, dizem muito sobre mim. Eu quero dizer muito sobre mim, e sobre eles, e sobre todos. Só não quero ser medíocre.

    • 3 Perambulagens, por Diego Barreto Ivo // Feb 14, 2007 at 21:39

      […] agora retorno à Ouro Preto, depois de ter pensando em voltar a viver por estas terras. Ouro Preto, para mim, não é apenas uma cidade: duas, na verdade: Ouro Preto e Mariana; e, além disso, umestado de espírito, que não posso definir enquanto eu não me cansar dele. É como São Paulo, porque eu ando a pensar que quero meu estresse de volta, minha correria enfim. Porque as férias emdesocupação, um ócio improdutivél, cansam. E todas as coisas que eu posso definir são uma memória sem desejo, uma nostalgia que, mesmo que em certos momentos eu deseje retomá-lo, sei quedevo, porque não posso, e isso seria contra um curso que se construiu. Retomar, não; o que eu acreditaria, mesmo que me voltassem algumas coisas e estas coisas fossem para ser vividas, em outrooutra vez. Bah! não convém muito falar disso. Mas essa foi das últimas coisas que aprendi na minha ida a Salvador: a de que não devo criar expectativas por causa do passado: acontece que eue Salvador mudou para mim, embora talvez seja a mesma de uns dez anos atrás. A cidade, à parte o contexto familiar, se tornou inútil a mim, ao menos por agora. E eu pensava que pelo menoscertas coisas que havia há anos, enquanto eu fiquei muito tempo sem ir. Aí, eu, à noite, estava fumando no térreo do prédio do meu avô e já não havia as pessoas que, em algum tempo ido,ali, naquela hora, conversando comigo… e depois éramos expulsos pelo porteiro, porque o barulho incomodava os que trabalhavam no dia seguinte; eu então acabei de fumar meu cigarro,em alguns versos, mas não realizei nada e concluí a minha estupidez de que o tempo voltasse. Ah, mas na literatura essa estupidez é uma das grandes virtudes de Proust! Não era para ser algoreflexivo esse post, mas foi. E suponho que só se define o que realmente está inacessível em seu túmulo. Postado em Coisas | Comente […]

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