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	<title>Perambulagens</title>
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	<pubDate>Mon, 21 Apr 2008 15:28:10 +0000</pubDate>
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		<title>Primeiro lugar</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Apr 2008 15:28:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Barreto Ivo</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Certamenta é uma boa o Primeiro lugar.
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Certamenta é uma boa o <a href="http://www.primeirolugar.net" title="Primeiro lugar no Google">Primeiro lugar</a>.</p>
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		<title>Novo endereço</title>
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		<pubDate>Sat, 02 Jun 2007 05:54:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Barreto Ivo</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[www.breviario.org/perambulagens
O Perambulagens agora faz parte do coletivo Breviário.
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.breviario.org/perambulagens">www.breviario.org/perambulagens</a></p>
<p>O Perambulagens agora faz parte do coletivo <a href="http://www.breviario.org">Breviário</a>.</p>
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		<title>Só para dizer que voltei</title>
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		<pubDate>Mon, 28 May 2007 20:41:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Barreto Ivo</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Coisas]]></category>

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		<description><![CDATA[Agora o pessoal da Ajato enfim voltou com a internet aqui em casa. De volta ao mundo, desde quinta estava me perdendo por aí. A Myriam, essa imoral, até teve tempo de criar seu blog (ela está devendo que eu lhe pague uma cerveja). É que teremos um longo tempo de greve na USP. Agosto? [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Agora o pessoal da Ajato enfim voltou com a internet aqui em casa. De volta ao mundo, desde quinta estava me perdendo por aí. A <a href="http://myriamks.blogspot.com/">Myriam</a>, essa imoral, até teve tempo de criar seu blog (ela está devendo que eu lhe pague uma cerveja). É que teremos um longo tempo de greve na USP. Agosto? Setembro? A data de volta é incerta, mas sabemos que temos um longo longo tempo para lermos do que quisermos. Nada de fonética e fonologia, viva!<o:p></o:p></p>
<p>No último dia de biblioteca aberta peguei os dez livros a que tenho direito, na verdade preenchi os dez slots, como dizemos. Minha lista: <em>Complete poems of D.H. Lawrence</em> (volumes II e III &#8212; ah, mato quem pegou o I), <em>Poetic of Indeterminancy </em>de Marjorie Perloff, <em>Breviário de Estética</em> de Croce, <em>Poesia completa</em> de Rimbaud (tradução Ivo Barroso), <em>Retrato hablado de Rimbaud</em>, <em>Rimbaud livre </em>(tradução de Augusto de Campos &#8212; bastava eu dizer Haurusto&#8230; vocês logo entenderiam que se trata de um dos que fazem traduções recreativas), <em>Rimbaud: das Iluminuras a América</em> (mais ou menos isso, de sei-lá-quem Vasconcelos), <em>Lírica trovadoresca</em> do Spina e&#8230; faltou eu me lembrar de um. Ah, mas pra quem não anda se lembrando de seus vinte anos já nem recentes está ótimo.<o:p></o:p></p>
<p>Nesse tempo aproveitei para pensar em poemas e ter algumas boas notícias. Publicaram-se meus primeiros poemas, na zine <em>Le mur</em>, que tem apoio da Aliança Francesa de Goiânia.  Na verdade isso já faz umas duas semanas. Ainda quero postar sobre a zine. Nesse tempo <em>offline</em>, na verdade, saiu outro texto meu, o primeiro em livro! É o posfácio <em>de O elefante infante</em> de Kipling que a Musa Editora lançará na Casa das Rosas neste sábado. Talvez amanhã eu poste o texto integral aqui. A edição ficou primorosa. Ah, neste dia será lançado também <em>O sapo apaixonado </em>de Donizete Galvão, também pela Musa. Quero falar de ambos.</p>
<p>Ando inventando comidas e coisas pra dizer &#8212; além de outras pra guardar. Vocês devem imaginar que, sem bandejão, eu tenho que cozinhar; sem aulas, tenho que inventar meu programa de estudos.<o:p></o:p></p>
<p>Hoje fui à Editora Cortez comprar um caderno porque quero pôr em prática um diário. Acabei levando também um caderno quadriculado e <em>Algumas partituras</em> do Gerardo Mello Mourão. O primeiro, porque o Beckett os usava para escrever: gostei da idéia e quem sabe se assim não herdo seu talento? O segundo, edição já esgotada, não podia ficar ausente da minha estante. Além do mais faz um tempinho que não compro livro. Contenção de gastos, ando economizando até em cerveja. Pode?<o:p></o:p></p>
<p>Fico pois por aqui. Alguns blogueiros talvez resmunguem de eu estar escrevendo, não trabalhando com o Wordpress MU. Mas já estou saindo&#8230; Fiquem com a primeira estrofe  que traduzi  do  <em>Sing of death</em> do D.H. Lawrence. Só saibam porém que meu inglês não é lá essas coisas:<o:p></o:p></p>
<p>&#8220;Canta o canto à morte, oh canta-o!<br />
Pois sem o canto à morte o canto à vida<br />
Torna-se enfadonho e descabido.&#8221;<br />
(<em>The complete poems</em>, Vol. III. D.H. Lawrence. London: William Heineman, 1957. p. 182)</p>
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		<title>Haverá as coisas boas e as de que gosto?</title>
		<link>http://perambulagens.org/literatura/havera-as-coisas-boas-e-as-de-que-gosto/</link>
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		<pubDate>Sat, 19 May 2007 15:16:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Barreto Ivo</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[O Rafael levantou uma questão muito interessante em seu blog, fui responder e meu comentário acabou ficando bastante extenso. Transcrevo o comentário logo abaixo, mas não deixe de ler o post já citado e este.
&#8220;Sobre teus dois últimos post, ô polemiquinha! Difícil responder, hein.
Baudelaire, quando publicou suas flores doentias, foi acusado por uma parte da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O <a href="http://rafaelrodrigues.org" target="_blank">Rafael</a> levantou uma questão <a href="http://rafaelrodrigues.org/?p=151">muito interessante</a> em seu blog, fui responder e meu <a href="http://rafaelrodrigues.org/?p=151#comments">comentário</a> acabou ficando bastante extenso. Transcrevo o comentário logo abaixo, mas não deixe de ler o <a href="http://rafaelrodrigues.org/?p=151">post já citado</a> e <a href="http://rafaelrodrigues.org/?p=150">este</a>.</p>
<p>&#8220;Sobre teus dois últimos post, ô polemiquinha! Difícil responder, hein.</p>
<p>Baudelaire, quando publicou suas flores doentias, foi acusado por uma parte da crítica de ser imoral, embora fizesse versos impecáveis, formalmente achavam-no muito bom. Ou seja: a crítica reconhecia que era bom o livro, entretanto este não lhe agradava!</p>
<p>Pra mim, há uma questão muito mais difícil: até quando a moral interfere na apreciação do livro?</p>
<p>Tristão de Ataíde (é assim que se escreve?), no prefácio de <em>Os Peãs</em>, do Gerardo Mello Mourão, diz mais ou menos assim: a moral é “dever” e a literatura é “poder” (no sentido de possibilidades), é libertação. Tristão mais ou menos repete o “não há livros morais ou imorais, há livros bem ou mal escritos” e segue também o pensamento de Sartre em o <em>O que é Literatura?</em>.</p>
<p>Guimarães Rosa não gostava nem de Machado nem de Joyce. Ele tinha seus argumentos, bons argumentos e que se justificam em relação a sua obra, sua valoração de literatura. Mas deve-se levar em conta que Machado era até então o maior escritor brasileiro e Joyce o maior e mais inovador do século XX…</p>
<p>Eu realmente fico confuso. Pode até ser que eu esteja enganado, mas agora não me lembro de nada que seja bom e de que eu não goste. Mas noutros momentos me lembro de ter falado: “há coisas que são boas e coisas de que eu gosto”. Mas talvez disso já haja até alguns anos, agora não me lembro.</p>
<p>Estou meio Auerbach, somente é bom aquilo de que gosto. Em meu atual Paideuma não há nada que não me agrade, não há nada ruim. Se um autor é muito descritivo e essa descrição não tem função literária, péssimo sinal; ele é ruim ou não tenho sensibilidade para perceber a iminente genialidade… E se eu não perceber como poderei gostar? E se eu não eu gostar como poderei achar bom??</p>
<p>Pensando-se exclusivamente em literatura: só é bom aquilo que é literatura, e eu só gosto do que é literatura.</p>
<p>Caso eu começasse a considerar livros como bons sem gostar, me sentiria um pouco formalista demais. Uma obra pode até ter toda uma construção formal e estrutural excelente, mas se não tiver aquela “coisa a mais”, aquilo que é a “poesia” e que nenhum crítico conseguiu definir. Realmente acaba sendo subjetivo e inefável (mas compartilhável)…&#8221;</p>
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		<title>Relendo meus já velhos poemas</title>
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		<pubDate>Thu, 17 May 2007 15:27:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Barreto Ivo</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Coisas]]></category>

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		<description><![CDATA[Ontem à noite e agora de manhã reli meu primeiro projeto de livro concluído, Os Paraísos Paralelos. Desde quando o tinha &#8220;terminado&#8221; (o motivo foi um concurso literário), já o olhava com certo desprezo, dizia aos amigos que era tedioso, e nunca foi por modéstia - vocês sabem que não sou disso. Tratava-o desse modo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ontem à noite e agora de manhã reli meu primeiro projeto de livro concluído, <em>Os Paraísos Paralelos</em>. Desde quando o tinha &#8220;terminado&#8221; (o motivo foi um concurso literário), já o olhava com certo desprezo, dizia aos amigos que era tedioso, e nunca foi por modéstia - vocês sabem que não sou disso. Tratava-o desse modo simplesmente porque era ruim. Havia alguns problemas óbvios, a pressa de terminá-lo mostrou-se patente, reuni nos <em>Paraísos</em> muitos exercícios de poesia.</p>
<p>No entanto, nem tudo se percebeu no momento. O que me levava a achá-lo tedioso? O que me causava repulsa em relação a ele? O Emmanuel Santiago, meu amigo poeta e quase impecável leitor (não posso deixar de dizer que tenho muita sorte com meus leitores, on-line ou não) fez uma exaustiva leitura crítica. Apontou bem os seus pontos altos, baixos, medíocres etc.</p>
<p>De toda a crítica que ele me fez, naquele momento não podia perceber muita coisa. Primeiro, porque eu tinha em mente numa estética totalmente diferente (mais abaixo falarei mais), depois porque muitos dos poemas não foram engavetados, então eu supunha ter escrito em poema o que eu sentia. Quase nada passava de projeção do meu momento. Os poemas agora não mais resistem a uma leitura minha.</p>
<p>Como disse no post anterior, há entretanto alguns poemas aos quais o Emmanuel já me tinha chamado a atenção. &#8220;Deus ex-machina, deus&#8221;, &#8220;Meu catálogo matinal de contrários&#8221;, &#8220;Cineasta ou espelhos seqüenciais&#8221;, e momentos de outros. Esses poemas também são os meus preferidos, exceção ao <em>Catálogo</em>, que é um poema muito Álvaro de Campos e pouco Diego Barreto Ivo, mas um de meus melhores. E não que isso não tenha sido comentado pelo Emmanuel.</p>
<p>Nesses poemas reconheço ainda algumas limitações, que procurarei refletir. Durante muito tempo minha poesia se fechava numa redoma de hermetismo. Cada vez mais eu tentava fazer imagens complexas e profundas, entretanto a profundidade psicológica ficava um pouco de lado e exibia-se meu &#8220;dom&#8221; para as coisas inteligíveis.</p>
<p>Ontem, veio aqui em casa um outro amigo, o Vinícius. Conversamos muito de Literatura, e por sorte passamos longe de técnicas. Falamos de mundo, de nós mesmos. Oras, o poeta só consegue fazer seus poemas quando se conhece. E essa é das partes a mais difícil. E uma coisa também muito difícil é reconhecer sua língua; além de muita psicologia, eu sou a Língua Portuguesa. Então não faz o menor sentido que eu busque uma solução um tanto eliotiana a um poema enquanto 1) eu não sou T.S., nem pretendo sê-lo; 2) sua língua não é o português, o que se pensa em seu poema é pensado em inglês e 3) ele por enquanto é melhor poeta que o Diego.</p>
<p>O Paulo Osrevni, do <a href="http://paralersemolhar.blogspot.com/" target="_blank">Para ler sem pensar</a> (só ele sabe por que o nome de seu blog eu escrevi errado), tem um ótimo texto sobre línguas,  <a href="http://paralersemolhar.blogspot.com/2007/04/cada-lngua-em-seu-lugar.html" target="_blank">Cada língua em seu lugar</a>. (A propósito, o Antonio Cicero tem um post relacionado: <a href="http://antoniocicero.blogspot.com/2007/05/filosofia-e-lngua-alem.html" target="_blank">A filosofia e a língua alemã</a>.) Neste parágrafo do post do Paulo ele explica muito bem o problema com o qual nos deparamos:</p>
<blockquote><p>O português é a língua perfeita para transmitir as impressões e sensações de um mundo que está dado e nos cerca, queiramos ou não. É a língua da conversa solta, da prosa que parece verso e do verso que parece prosa. Os franceses gostam de se considerar o povo da conversa vazia, o <it>bavardage</it>, mas eles se expressam por convenções e fórmulas que só fazem enrijecer o discurso. Nós nos expressamos em ondas e marolas. Já os documentos oficiais, talhados para o francês, soam tolos e pretensiosos em nosso idioma, e a fala marcial do inglês nos empobrece.</p></blockquote>
<p>Na minha conversa de ontem, o Vinícius defendeu que não há mais espaço para hermetismos. Não é querer ser um mero moralista, a Literatura ter de fazer tal ou tal coisa etc. Qualquer boa poesia está conectada ao seu tempo, a poesia reconhece e cria o mundo. Do que adianta haver um excelente sonetista se ele for puramente parnasiano? Além do mais, é bastante raro que um papagaio escamoteie a poesia de um verdadeiro poeta.</p>
<p>Não fui tão fechado a regras, mas não há como eu não dizer que não fui um papagaio de muita coisa. Mas também não há poeta que antes não tenha sido papagaio. Em Rimbaud, vemos nos primeiros poemas a papagaice e como ele vai se desprendendo de todas as marras até se tornar um barco bêbado. Mas o tempo não é mais de prodígios: o poeta, hoje mais do que nunca é para daqui a alguns anos, isso reforça que ele seja um resistente em relação ao mundo. &#8220;Suas asas de gigante impedem-no de andar&#8221;, como cantou Baudelaire em <em>O Albatroz</em>.</p>
<p>Em <em>Deus ex-machina, deus</em> reconheço a minha língua e conheço a mim mesmo, menos em alguns momentos. Será que é por que eu conheço ali a língua brasileira ou é por que eu me reconheço que há a língua brasileira? O poema está prosaico, artificialmente despojado, tranqüilo, mas em seu amago terrível, incomoda.</p>
<p>Os poetas que não escrevem para incomodar deveriam se tornar publicitários.</p>
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		<title>Resgatar o baú</title>
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		<pubDate>Thu, 17 May 2007 04:44:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Barreto Ivo</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Acabei de imprimir Os Paraísos Paralelos. Para quem não sabe foi o meu primeiro livro. Aliás, eu nunca fiz um livro. Os meus Paraísos foram uma reunião de poemas (a maioria apressada) para um concurso português que, como se vê, não cheguei perto de um resignador troféu e alguns euros. Na verdade, só publicariam o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acabei de imprimir <em>Os Paraísos Paralelos. </em>Para quem não sabe foi o meu primeiro livro. Aliás, eu nunca fiz um livro. Os meus <em>Paraísos</em> foram uma reunião de poemas (a maioria apressada) para um concurso português que, como se vê, não cheguei perto de um resignador troféu e alguns euros. Na verdade, só publicariam o livro. E, como não tenho livro, melhor assim. Pode haver coisa pior do que se juntar a essa massa de poetas medíocres afoita em ter o nome estampado em uma edição &#8220;iscortéte&#8221;?</p>
<p>Sinto-me contente, agora. Faz uns seis meses que os poemas estão engavetados, inalterados, em estado de pós-pureza, virgens e incautos. Ah, que bom será rever isso! Rever a mim mesmo, rever a poesia, rever o que na época só eu julgava poesia. Rever o que devo resistir embora meus anseios poéticos já sejam totalmente outros. Talvez me valha exclusivamente pelo aprendizado; excessão por enquanto a um poema, <em>Deus ex-machina, deus</em>, que o Emmanuel, poeta e amigo, me trouxe à tona. Até por isso que eu fui resgatar meus poemas&#8230;</p>
<p>Hoje um outro amigo veio para casa e discutimos muito sobre literatura, mais espiritual que tecnicamente, se é que vocês me entendem. Bom que a conversa se remeteu logo a nós mesmos. &#8220;Conhece-te a ti próprio&#8221;. Que poeta não se conhece? Que há de mais difícil que se conhecer? Mas esse poema acaba que me ajuda em muitos problemas; eu tinha nesses últimos tempos um certo curso da minha poesia, e desviei. E, caso realmente eu venha a me (re)encontrar, nada deverá ter sido tão bom quanto esse desvio. O poema com breves alterações:</p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size: 16pt">Deus ex-machina, deus<o:p></o:p></span></p>
<p class="MsoNormal"><em><span style="font-size: 10pt"><o:p> </o:p></span></em><br />
O que penso que sei e que posso<br />
é uma artimanha dos deuses<o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal">Quanto mais me descobria tranqüilo,<br />
é que tudo se impregnava</p>
<p class="MsoNormal">O ateu afinal lhes é a raça mais valiosa<br />
porque os faz deleitar-se em um incrível escárnio<br />
com o extremo oposto crente em provar<br />
o contrário de toda a VERDADE. <em>Ó pobrezinhos!<br />
Sua ficção é uma realidade<br />
como se não fosse o que nós queríamos,<br />
e isso cai-lhe como uma luva, dominamo-lo!<o:p></o:p></em></p>
<p class="MsoNormal"><em><o:p></o:p></em>Assim, minha contrição me conduz<br />
à negação do afirmativo,<br />
<span>                        </span><span>  </span>a afirmar a negação<o:p></o:p><br />
<span>        </span>sempre vou de encontro ao pressuposto de um oposto,<br />
e eu estou convencido, quero isto<br />
e aquilo (para não aceitar,<br />
<span>                                 </span>sequer negar)<br />
e ter todas as certezas<br />
<span>             </span>de toda e nenhuma completude&#8230;</p>
<p class="MsoNormal"><o:p> </o:p>Decerto os deuses, sim, riem de mim,<br />
e eu também deles, pois seu Mito,<br />
<span>                </span>mais o mito que lhes sou:<br />
<span>   C</span>onviver, conveniência</p>
<p><span>               </span>— ao menos na necessidade<span>                       </span></p>
<p class="MsoNormal"><span>                     </span><span>  </span>dos meus imaginários e tramas</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title></title>
		<link>http://perambulagens.org/coisas/84/</link>
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		<pubDate>Tue, 15 May 2007 13:06:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Barreto Ivo</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Coisas]]></category>

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		<description><![CDATA[A exemplo do poema anterior, Rimbaud cantando no Limbo, ando escrevendo a lapsos. Desde o Blues ao tempo não escrevo um poema verdadeiramente. Rabisco, rabisco muito, quase não há dia em que não faça ao menos anotações. Entretanto, preciso anotar melhor de poesia e de dias.
Isto é, preciso de um diário só meu, um diário [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A exemplo do poema anterior, <em>Rimbaud cantando no Limbo</em>, ando escrevendo a lapsos. Desde o <em>Blues ao tempo</em> não escrevo um poema verdadeiramente. Rabisco, rabisco muito, quase não há dia em que não faça ao menos anotações. Entretanto, preciso anotar melhor de poesia e de dias.</p>
<p>Isto é, preciso de um diário só meu, um diário onde eu escreva para mim, até para me conhecer. E preciso de poemas; nesses tempos, pelo menos dois me ocupam a cabeça boa parte do dia. Mas não saem&#8230; E confesso que fico aflito. Nunca mais penetrei surdamente no reino das palavras, aliás quanto mais lhe vou em busca, mais escapam. É claro que a poesia é essa busca, mas a busca por agora é apenas para-mim, escamoteou a poesia&#8230;</p>
<p>E, caso eu não me torne um grande poeta, quem sabe o meu diário não se o torna!? Rá! Isso é muito corrente, poetas que não faziam tão grandes poemas quanto os seus diários. Fugiu-me algum nome para exemplificar. E estou com preguiça de pensar.</p>
<p>Aliás, estou pensando em atualizar o <em>Perambulagens</em> diariamente, ainda mais com a mudança  que estar por vir. Adianto-vos, um coletivo. Temos um nome muito bom (mas não digo qual é), os vizinhos são inteligentes e escrevem bem, de alguns já sou amigo, alguns conheço pessoalmente.</p>
<p>Mas por aqui tudo parado. Amanhã tenho prova de latim, estou enfiado no meu <em>Reading Latin</em>. Aprendo latim e reforço meu inglês.</p>
<p>Breve, tudo.</p>
<p>Breve tudo se estabilizará, breve deletarei este post, que é inútil&#8230;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Rimbaud Cantando no Limbo</title>
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		<pubDate>Fri, 04 May 2007 00:32:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Barreto Ivo</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Limbo vazio,
hoje assovio:
Todas as almas!
Por que tão calmas?
Limbo vazio,
hoje assovio,
Só escuto os passos
Do que não faço&#8230;
Limbo vazio,
hoje assovio,
Já tive o Mundo,
sabia a fundo
as alegrias
e as alquimias.
Limbo vazio,
hoje assovio,
Não mais invento,
já sei o vento.
Limbo vazio,
hoje assovio:
Vida pequena
Não vale a pena!
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Limbo vazio,<br />
hoje assovio:</p>
<p>Todas as almas!<br />
Por que tão calmas?</p>
<p>Limbo vazio,<br />
hoje assovio,</p>
<p>Só escuto os passos<br />
Do que não faço&#8230;</p>
<p>Limbo vazio,<br />
hoje assovio,</p>
<p>Já tive o Mundo,<br />
sabia a fundo</p>
<p>as alegrias<br />
e as alquimias.</p>
<p>Limbo vazio,<br />
hoje assovio,</p>
<p>Não mais invento,<br />
já sei o vento.</p>
<p>Limbo vazio,<br />
hoje assovio:</p>
<p>Vida pequena<br />
Não vale a pena!</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Our everyday pain, my qualm, happiness</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Apr 2007 01:35:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Barreto Ivo</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[A doce vida]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu estou querendo alguma coisa, não há a coisa que se quer; apenas se quer. Procuro, então tenho que querer, assim fico querendo o que não há&#8230; e logo fico um pouco inane enquanto encostado no parapeito da varanda olho a paisagem e o prédio que me barra a vista.
Perdi o senso das palavras. Elas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu estou querendo alguma coisa, não há a coisa que se quer; apenas se quer. Procuro, então tenho que querer, assim fico querendo o que não há&#8230; e logo fico um pouco inane enquanto encostado no parapeito da varanda olho a paisagem e o prédio que me barra a vista.</p>
<p>Perdi o senso das palavras. Elas me fogem, estão em estado selvagem. Algumas: só as reconheço em dicionários, elas não me existem. Eu sinto o peso das palavras, a perda da realidade ordinária.</p>
<p>Tenho tudo para ser feliz, já que não sou essencialmente triste. Mas não me agrada a idéia de ser feliz, porque a felicidade é uma espécie de perfeitização da vida &#8212; e eu só quero ter muitos problemas para (me) resolver e (me) conduzir. Viver. Ser-me.</p>
<p>PS: &#8220;Deve ser amor, só pode ser amor o que Mersault está sentindo.&#8221;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Um trabalho crítico</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Apr 2007 14:29:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Barreto Ivo</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Acontece]]></category>

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		<description><![CDATA[Um crítico aí foi tomado por um impulso genial e talvez incontrolável: “Imagina que Walter Benjamin, ao escrever sobre Baudelaire, falou de sua instabilidade pelos espaços; e Baudelaire (que se mudava freqüentemente) como flâneur etc e tal – realmente um trabalho querido. Benjamin entretanto limitou a iminente profundidade de sua visão ao ignorar a relação [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um crítico aí foi tomado por um impulso genial e talvez incontrolável: “Imagina que Walter Benjamin, ao escrever sobre Baudelaire, falou de sua instabilidade pelos espaços; e Baudelaire (que se mudava freqüentemente) como flâneur etc e tal – realmente um trabalho querido. Benjamin entretanto limitou a iminente profundidade de sua visão ao ignorar a relação intrínseca do poema e desses espaços que desfilavam vertiginosamente em sua Paris. Hei-de escrevê-lo, creiam.”</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Portanto, trago a ele uma dica, entretanto é por puro pedantismo; melhor do que dica: uma referência bibliográfica, um método, um alento igualmente infalível: o daquele outro crítico (sulista?) que conseguiu dar cabo de como a cidade de Mariana (Minas Gerais, junto à minha saudosa Ouro Preto) e de uma em Santa Catarina (será esse o estado?), Desterro (hoje Floripa pros íntimos), são  as únicas que puderam produzir poetas simbolistas: Alphonsus Guimaraens, Cruz e Sousa etc. A resposta está no ar: é claro que é o clima (mas lembre-se justamente das sombras). E agora falo por mais pedantismo ainda, já que não li esse crítico (mas quero; dói-me entretanto que esqueci seu nome&#8230;): o verde do mofo (natureza) rompido pelo verde odor do absinto (artificial) transubstanciam-se num verde-terceiro que o poeta inspirou como um sopro divino. A excreção, melhor, o que expira, transpira é poesia simbolista.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Baudelaire vivia em Paris e em mudanças, e em multidões, mas acho que ninguém tratou através de fenomenologias do ar infiltrando-se nos miolos do poeta parisiense (não contam ares de haxixe e ópio, quiçá os espíritas – como recentemente tentou analisar um estudante e neo-espírita da UFC). Como cada ar trazia determinada sensação, sentimentos, emoções e verdades!</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Mas esse é um trabalho árduo, deveria ser pra doutorado. E da Academia é esperado que o aceite. Ufa!</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">
]]></content:encoded>
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