Abortar-me do aspecto rude e turvo da metrópole (embora muito elegante).
Não, este poema não tratará de maldizer a vida;
ao contrário, matérias do poeta (mal-entendidos) abortem-se!
Que se diluem, neste instante, a apatia, a melancolia e o tédio de outros
[versos.
Pois o suficiente… arre!, basta apenas sentar-se neste balanço.
De repente a paisagem rural é acariciada por um chuvisco.
Querer deixá-lo cair sobre mim, ainda que fume um cigarro.
Ah… que me importa?… Neste balanço… o cinza esquece de se iniciar.
(E não haja necessidade, enfim, de mandar tudo mais para o diabo!)
Mas chove mais forte (as nuvens se encontram sobre mim,
trovejam) – e já me é impossível o doce vício…
(A não ser que eu retorne à chácara aonde acabo de chegar em férias.)
Que eu me despoje! que se molhem óculos, roupas, sapatos e celular!
Aí eu me balanço mais forte. Rio e grito.
Na medida em que o céu e o chão
são tomados pela mais do que pesada torrente. Balançar a si e ao mundo
como se não mais houvesse si e mundo.
Escorrego à rústica terra, quase charco. (Lodo aos urbanos.)
[Soerguer-me-ei?
Ah, deixem-se! que o chão, o nada, o céu,
tudo se fundirá numa simples e inigualável redenção,
como se o grego e o internacional deus desconhecido
enfim me tocasse e me desse uma bênção, infinitamente latente.

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