O relativista se acha tão relativo que seus ‘dependeres’ já não podem se exprimir com a mesma força de quem não o é, porque ele se tornou um crente na busca de provar que tudo é relativo — e isso não raro se torna uma convicção, o que, engraçado, não é nada relativo. E não prova nada. Oras, nós precisamos de verdades!
O relativista tem a certeza da incerteza, o que lhe define como estática.
É, enfim, uma incoerência da parte do relativista tomar o relativismo como um conceito absoluto.

5 responses so far ↓
1 Manoela // Nov 13, 2006 at 20:39
será que nós precisamos mesmo de verdades? talvez precisemos sim de dúvidas, muitas dúvidas… a verdade, de certa maneira, bate o martelo, estabelece algo e, assim, boicota a ação… ou não heheheh. Bom, com relação a “Será que a beleza de tudo é a certeza de nada?” - o que tenho a lhe dizer é o seguinte: tenho certeza de que aquele que vê a beleza em tudo, dificilmente terá alguma certeza… sobretudo a certeza do nada, q
2 Manoela // Nov 13, 2006 at 20:40
opa, continuando, que é algo extremamente complexo… :P bjinho! (eu sei, eu sei, você quis dizer ausência completa de certezas, só pra azucrinar um pouco :P)
3 Emmanuel // Nov 13, 2006 at 21:05
Diego,
Como senti que fui diretamente mencionado, eis aqui meu direito de resposta.
O relativista não tem a prepotência de estar sempre certo, seu método é sempre deslocar o ponto de vista para uma nova possibilidade. Quam precisa viver de certezas? Certezas do quê? Certezas são muletas que impedem o homem de ver as suas limitações.
O relativista não julga de forma absoluta, o seu julgamento está sempre em suspenso, porque respeita a opinião do outro.
O que não dá para agüentar são argumentos mal-fundados na hora da discussão. Por exemplo: subordinar a poesia a um critário tão vago quanto “humanidade”. Nenhuma ciência, filosofia, etc., conseguiu definir quem é o homem, é imposível atribuir o que lhe caracteriza ou define sem um discussão tremenda e sem fim.
Conceitos vagos são muito fáceis de serem empregados como categorias analíticas, mas não o são. É para isso o que o relativista atenta.
As verdades são muletas, apegue-se a elas se quiser. Mas passou atestado de ignorância atacando algo que sequer ainda consegue perceber por trás de sua educação pagronizada, cheia de certezas (a certeza gera o padrão).
O relativismo é tão antigo quanto os sofistas, mesmo sócrates pode ser considerado um relativista em alguns momentos ao se recusar a definir certos conceitos nos diálogos platônicos.O relativismo é o que possibilita que o pensamento avance além do que foi estabelecido em certa época. Sem isso, ainda estaríamos rezando para totens, ou coisas que o valha.
4 Diego Barreto Ivo // Nov 14, 2006 at 2:20
Bem, desde quando verdades são convicções absolutas? Eu tenho todo o direito de não ter certeza, de ser ambígüo, de dizer, pensar uma coisa e em seguida me contradizer. Isso não exclui verdades. A verdade é simplesmente a visão de mundo, e isso todos nós temos. E eu quero sempre ser um turbilhão de verdades.
Embora tudo possa ser relativo, o relativismo não leva a lugar nenhum.
Por isso busco minhas verdades, não as absolutas, verdades ao menos que para pervertê-las.
5 Vinicius Melo Justo // Nov 19, 2006 at 21:05
Os dois estão errados, Emmanuel e Diego.
Simplesmente por que eu acho que estão errados. Nenhum dos dois me convenceu.
Então, considerando que seus conceitos são excludentes, e ennhum tem razão, é lícito afirmar que, sobre isso, não há possibilidade correta? E que, portanto, a necessidade ou não de verdades é também relativa?
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