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Vou-me embora para Ouro Preto?

November 11th, 2006 · 1 Comment

Foda-se o intelectualismo de São Paulo. Abri mão de uma vida pela o ideal e esperança de São Paulo. Ainda gosto daqui, apaixonadamente. Mas São Paulo me extirpa, parece cada vez me roubar a vida.

A faculdade de Letras da USP é um desalento, principalmente fora das salas. Há uma necessidade medonha de se ser intelectual, como se isso fosse a única coisa que nos move. Não, eu preciso de Ouro Preto, de meus amigos, meus melhores amigos que estão todos em Ouro Preto.

Acho que só lá conheci o Amor, e aqui sou amordaçado por tantas coisas… moralismo de família, inadequação à lógica que me impõem, a eterna lembrança de um exílio. Acho que não quero mais nada do que consegui ser eu, sem necessidade de fingir, de tentar me fazer algo esperado.

O que tenho são uns cem livros, algumas roupas que não raro estão sujas por preguiça de lavar, uns 30 cds e mais algum punhadinho de coisas. Basta encaixotar tudo.

Sim, me amordaçarão mais. Voltar para um lugar de onde se veio?

Deixem-me em paz, todos! Eu perco dois anos de faculdade, mas ao menos recupero uma das coisas mais preciosas que percebi.

Só haverá vestibular em julho do ano que vem, não é difícil passar na UFOP. Sei lá, pego minhas coisas, mudo-me para lá, faço um curso de línguas, retomo minha vida social, essencial. A faculdade não durará o testo de minha vida, obviamente. Aí depois eu posso ir para a Europa, conhecer o mundo, apanhar da vida, encontrar minhas verdades.

Que aqui está sendo uma mentira sem proveito.

Numa “noite de porre imenso”, no Rio de Janeiro, Mario de Andrade decidiu-se por voltar a São Paulo. “Vou-me embora pra São Paulo”. Eu quero o contrário. Ouro Preto, os diabos de Ouro Preto.

Tags: Insights

1 response so far ↓

  • 1 Vinicius Melo Justo // Nov 12, 2006 at 21:53

    São Paulo ergue-se como o tique-taque das máquinas de escrever para você. Para mim também, e sinto que a todos isso é banalmente sinistro.

    Mas eu, por mim, não abro mão deste fazer perfeito do tique-taque, não abro mão do estático. Ele irá opor meus conceitos subjetivos. Sem essa oposição, não sou nada.

    Temos duas vidas; em São Paulo, morrerei.

    Resta saber se viverei também em São Paulo. Por enquanto, sinto que viverei.

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