Nestas férias descobri, lendo-o, que Shakespeare atingiu o Humano na Literatura. Depois de Hamlet, passei o resto do dia como quem leva um soco no estômago, discreto e profundo, e cheio de um Terror que me fez de certa forma perder alguma noção de mim — naquela coisa do Freud, meu espaço e meu tempo ficavam confusos! E mesmo no dia seguinte houve resquícios desse “outspacing”.
Em Proust todas os trechos seriam ideais para demonstrar sua genialidade; em Shakespeare nem tudo funciona instantaneamente, mas vai se adensando para determinado momento da narrativa, como o “to be or not to be that is the question”. Em busca do tempo perdido entretanto é um livro que nos impõe uma leitura lenta, porque cada detalhe é impactante, numa espécie de “tragicidade objetiva”, como se diz acerca de Flaubert.
Depois continuo a falar de minha leitura que tange, toca e incomoda Shakespeare.

2 responses so far ↓
1 Manoela // Feb 16, 2007 at 21:28
… a espiral é bem sugestiva mesmo… não colocaram ela na boca da garota, ela que abocanhou o metal hehehe
2 joão filho // Feb 22, 2007 at 19:37
Diga, Diego. Estou em Salvador, com um casamento novo, e trabalho tmb novo. Estou com um pequeno sebo no centro de salvador. Quando vier por cá, apareça. Um grande abraço e vida longa.
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