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A vida através da literatura ou a literatura através da Vida?

October 28th, 2006 · 2 Comments

“Por mais veterano, por mais hábil que seja o contista, se lhe faltar uma motivação entranhável, se os seus contos não nascerem de uma profunda vivência, sua obra não irá além do exercício estético”, disse Cortázar, que reclamava de que algumas pessoas lhe traziam fatos inauditos de suas vidas, esperando que o escritor argentino os pervertesse em literatura – como se já estivesse tudo encaminhado, faltando justamente uma pincelada do autor.

Outras vezes, contavam-lhes coisas despretensiosas e, dessas sim, ele fazia contos. Não há uma lógica exata para o que deve ser feito literatura ou não. O que há nos grandes autores é um olhar poético sobre cada instante em que a vida palpita, explode ou simplesmente é muda. Uma necessidade de se ver inclusive as vísceras por esse viés talvez enigmático.

“Tudo o que não é literatura me aborrece”, disse Kafka.

Clarice Lispector, sobre sua novela A Hora da Estrela, disse que certa vez quando caminhava pelo Centro do Rio de Janeiro viu passar uma moça, e compreendeu integralmente sua vida — assim nasceu a patética Macabéa.

Dizer que ela se inspirou é reduzir o pensamento de um escritor.
 

Tags: Literatura

2 responses so far ↓

  • 1 Manoela // Oct 29, 2006 at 2:24

    sim, boitei a mochila nas costas… em busca de outros sons, outra poesia, outra visualidade… pra alimentar a alma, bjinho!

  • 2 Vinicius Melo Justo // Oct 29, 2006 at 18:02

    E só agora entendi o que isso significa dentro da minha produção. Não é assim tão fácil, e talvez eu não tenha compreendido plenamente.

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