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A expectativa de um homem só

February 8th, 2007 · 3 Comments

Escuto os passos de um soldado
saídos do contato forte e difícil
de seus coturnos sobre a calçada
como se exalasse o impasse de uma batalha
em breve, e isso o tornasse inseguro
e soturno, lá dentro, e exausto
no seu olhar rígido e altivo, exprimindo
contra o chão o luto de ter de continuar.

Ele seguia decidido em resolver a intriga
a que sempre se arranjavam motivos para
nunca aniquilar — E, num ímpeto
de coincidência, o vento frio avalia
o peso e a angústia daqueles rumos tortuosos
para mim e dão ao transeunte a liberdade
de não optar pela perfeição do Amor
que se jurou sob a égide da felicidade.
O vento, então, rasga tal sina de sobrevivência
imediata, com o adorável pretexto
de lhe impôr um ar fresco e límpido
que lhe açoita os cabelos e até propõe um riso
súbito, que se acata, apesar dos subterfúgios
cotidianos de que os tempos iniciais ainda voltarão…

“Oh, não perguntes do que se trata;
continuamos a viver, apenas isso!
Seguimos na possibilidade mesma da nostalgia
realizar-se presentemente, porém verificamos
que a vida é inócua,
embora Deus nos houvesse ofertado tudo o que pedíamos.
Mas nós já nos esquecemos das expectativas,
suspendendo-as. E, a fúria, não há como explicá-la;
deixa por favor soar o vento.”

E, num lance repentino, transubstancia-se a cena,
minha perspectiva gira e eu surjo!
infalível e majestoso. E, apesar
dos meus olhos que derrubam gigantes,
tamanha sua dinâmica implacável de tormento!,
como se olhassem Medusa e se consolidassem
estátuas pálidas a engolir seco o medo!
(não, nenhum mais há de ser o David de Miguel Ângelo),
demonstro minha compaixão! descendo a mão ágil
que estava à altura de qualquer órbita inimiga!,
e a ofereço benéfica à minha criatura! qual um deus
em minha astuta façanha de apacientar e desiludir.

Numa chuva torrencial que há de levar a arrogância
lavando o espírito ínfimo em tão grande infortúnio,
pervertendo a sorte de meus terríveis dias,
eu me reencontro comigo e prossigo fatigado,
a saber de que os passos ainda me corroerão, através
da linha reta.

Tags: Poesia

3 responses so far ↓

  • 1 Manoela // Feb 8, 2007 at 18:34

    não só sarte como deleuze… tô pirando… olha, acho que vou mandar aquelas coisas pra você pra sampa mesmo… não tive tempo de parar pra preparar seu envelope, me passa o endereço de lá depois, acho q vou fazer isso depois do carnaval. beijos

  • 2 Angel Cabeza // Feb 9, 2007 at 21:17

    Diego, vim retribuir tuas palavras para com os meus textos.
    Sou um poeta simples, simples como uma folha caída no chão. Se gostaste do que escrevi, são apenas teus olhos.
    Seu blog também é muito bom.
    Vou bisitar mais veses.
    Postei coisas novas. Se quiser ler…
    Abraços,
    Angel Cabeza
    www.angelcesar.zip.net

  • 3 Manoela // Feb 12, 2007 at 0:54

    woody allien kkkkkkkkkkk massa

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