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Blues ao tempo

March 10th, 2007 · 3 Comments

Para Wendel Vasconcelos Sampaio, meu amigo

A memória, cheia de desejos, caçoa
destes dias brutos;
a vida se projeta despojada
num pranto embotado, no entanto.

Desabrochará? Quando poderei,
despetalando
as pálpebras da vida
uma a uma, revelar-me o esperado
ou surpreender-me? Ah,
as flores do vazio, então.

Se o sol não ecoasse o que cometi
talvez ainda achasse feias
as rainhas esposas dos caranguejos,
cascas horrorosas, patas
perigosas.Tempo cru, portanto.

Úmida contudo, esta terra não
esturrica, permanece terna; terra onde
tudo existe intermitente; e tantas
as coisas que estão a cada instante.
Os dias judiam de minha doce
memória só devaneios, Deus.

Também o céu está blue. Repouso
aqui sem guarda-sol; a vida é depressa.
Às vezes penso que levo o cronômetro em banho-maria.
Deveria definitivamente dar-me ao Paraíso, ou Inferno.

Tags: Poesia

3 responses so far ↓

  • 1 Ed // Mar 10, 2007 at 2:05

    E você é poeta, eu sou ensaísta.

  • 2 Manoela // Mar 10, 2007 at 10:48

    perca o seu hd e vc terá um choque que colocará seu cronômetro em ebulição, moléculas de água que se debatem, se agitam, não suportam viver juntas, tanto que resolvem optar pelo caminho da evaporação… transcendem… é, tô em choque ainda. não confiar mais em alguém é duro, como vou viver com esse hd se não confio mais nele?

  • 3 laila // Mar 14, 2007 at 22:58

    ainda duvidas que será um poeta famoso?
    eu tenho plena convicção. beijos, Di.

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