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Do Falsário da Irreconhecível pintura

February 12th, 2007 · 17 Comments

Há um arbitrário implícito
nestas ruas estúpidas:
o de que devemos prosseguir;

Dissolver-me nessa vereda
é extasiar-se sem alento:
me aproximo e te repulso;

Feito união com distinção:
como um pintor que, deslizando
tinta a esmo, não cedesse a um impulso.

Há, sim, Temor, já que caminhamos.
Continuamos, como se me propusesse
expectativas, e no entanto há morte:

és iminente!; Deus, inacessível, turvo…
E há tantos sentidos cogitáveis para
o depois, inclusive apenas acaso.

Mas o hipotético amortece o pensamento,
amorfa-o contudo; vejo-te, na lacuna, rua
nua, e o desvario se misturando à pintura.

Tags: Poesia

17 responses so far ↓

  • 1 Renata Miloni // Feb 16, 2007 at 8:16

    Eu não gosto muito de poesia, não tenho o costume de ler. Eu gosto é de prosa, ler e escrever prosa. Mas achei excelente o que você escreveu. Gostei de verdade!

    “Mas o hipotético amortece o pensamento”

    Sem sombra de dúvida.

  • 2 Rômulo // Feb 16, 2007 at 12:29

    Concluo que realmente não gosto da sua poesia.

    Li esse poema várias vezes, e ele sempre me parece como uma colagem de palavras que não funcionam muito bem umas com as outras.

    O pensamento que me vem, normalmente, é “do que diabos ele está falando?”. Isso não é necessariamente ruim, em poesia, quando o leitor é impelido à investigação/reflexão, ou quando há outras coisas a se aproveitar: a melodia, a riqueza imagética, o que for; na sua poesia, porém, não consigo aproveitar nada, e nem me sinto impelido a nada.

    Penso que falta algum sortilégio, falta organicidade. Seu texto é artificial por demais. Você equilibra palavras pesadas sobre arestas frágeis — o poema fracassa.

    Acho que talvez você tenha um problema em converter os conceitos ou impressões filosóficas lhe surgem em material poético.

    Bem, ou talvez nossa estética seja simplesmente incompatível.

  • 3 Renata Miloni // Feb 16, 2007 at 20:54

    Sem querer ser chata nem nada, mas não se deve levar a sério o que diz uma pessoa que não entende o que escrevemos. O que escrevemos é nosso e por mais que todos tenham o direito de opinar, já que é público, ainda bem que há o direito de escolha do autor. Não leve a sério. É simplesmente alguém com gosto totalmente contrário ao teu. Seja um conhecido ou não.

    Li também várias vezes o poema e cada vez gosto mais.

  • 4 Rômulo // Feb 16, 2007 at 22:18

    Renata, o meu comentário foi apenas uma crítica honesta sobre a poesia do Diego. Foi a melhor explanação à qual eu pude chegar para minhas impressões acerca dela.

    Eu não tive a intenção de insultar o trabalho dele, nem de desincentivá-lo à escrita: pelo contrário, e ele sabe bem disso.

    Sou amigo dele já há algum tempo, e agora sinto-me livre para fugir do óbvio e me esforçar para dizer o que realmente penso. É um trabalho de amizade.

    Eu quero ver o desenvolvimento do Diego como poeta. Ele certamente deve querer se desenvolver. E comentários negativos, desde que feitos de modo construtivo, são fundamentais para que haja qualquer avanço.

    Se a sua visão de literatura fosse também a visão da maioria dos grandes autores, não haveria discordância, não haveria crítica, não haveria reformulação, etc — a literatura estaria eternamente estagnada.

  • 5 Renata Miloni // Feb 17, 2007 at 7:27

    Eu sei disso, Rômulo. Não quis que fosse uma mensagem chata, não. Mas eu também escrevo e falei para ele, sem mesmo conhecê-lo, o que penso que seja o melhor a se fazer. É que eu sou meio intrometida quando vejo uma crítica de alguém que não entendeu o que foi escrito. É bom receber críticas assim porque vemos que o trabalho não agrada a todos. Eu acho um bom sinal. Dá vontade até de agradecer quando alguém faz isso. Mas como eu disse, sendo amigo ou não dele, pai, irmão, não se deve levar a sério uma crítica [mesmo que honesta, não desconsidero] de alguém que não entendeu o que foi escrito. É poder de escolha mesmo, unicamente do autor. Vou dar um exemplo. Um dia mandei um texto para uma amiga e ela começou a colocar defeito em tudo. No final, descobri que ela não entendeu uma linha sequer e acabei rindo. É tudo tão relativo. O desenvolvimento dele como poeta pode acontecer o tempo todo, mas você vai achar que não simplesmente por não pensar como ele, ter gosto diferente.
    No fim, isso tudo deve ser bom para ele. :-)
    E se disso tiver o que melhorar, vou acompanhar sempre!
    Beijos!

  • 6 Rômulo // Feb 17, 2007 at 22:07

    Renata,

    Acontece que você parte do preceito que um texto pode ser entendido, e que o entendimento (visto de uma perspectiva onde ele existe de modo absoluto) é a parte fundamental do processo de valoração do texto.

    Não é bem assim. É quase clichê falar isso, mas nenhum texto pode ser entendido integralmente — a palavra é diáfana. Além disso, é impossível dizer que “fulano entendeu o texto mais que cicrano”. Qual é o critério? O autor? E o autor entende o texto?

    Seu comentário não revela chatice, revela pretensão. É pretensioso dizer que entendeu o texto e que por isso pode avaliá-lo. Em literatura não existe entendimento, existe interpretação.

    O papel da crítica é, freqüentemente, *tentar* esclarecer o texto.

    Você entendeu o que foi escrito tanto quanto eu. Sua amiga entendeu seu texto tanto quanto você. Suas interpretações divergem, porém, e daí vêm os conflitos de opinião; se você prefere desconsiderar qualquer crítica com a justificativa de que o crítico não entendeu o texto, sinta-se à vontade, mas não vejo o benefício disso.

    Em poesia, principalmente, é quase impossível afirmar qualquer coisa sobre um texto sem ir contra a opinião de dez leitores com leituras diversas. Veja que eu disse em cima: “Isso não é necessariamente ruim, em poesia, quando o leitor é impelido à investigação/reflexão, ou quando há outras coisas a se aproveitar: a melodia, a riqueza imagética, o que for”.

  • 7 Renata Miloni // Feb 18, 2007 at 7:30

    Rômulo, eu realmente não queria prolongar a discussão [que até estou gostando] senão o Diego me expulsa do blog dele de tão intrometida que eu sou.
    Bom, em nenhum momento eu disse que entendi o texto. A única pessoa que pode vir a entender, se entender, é o autor. Eu disse que gostei muito. Quando falei que você não entendeu é porque ficou confuso com a disposição das palavras e, por isso, elas não fizeram sentido para ti. E é exatamente quando isso acontece que a pessoa diz que ficou ruim: porque ficou confuso para ela, porque não bate com o gosto dela etc. Eu jamais diria que entendi o texto mais ou melhor do que qualquer outra pessoa. Isso sim seria pretensão e essa jamais foi ou é minha intenção. Ué, você não gostou da disposição das palavras, ficou confuso e achou artificial, oras. Ninguém tem obrigação de gostar de tudo que alguém escreve. Seria muito chato. Mas o que eu quero dizer é que o Diego precisa, espero que ele já faça porque vai ser ótimo para ele, discernir.
    Você disse que eu parto do preceito de que o entendimento é a parte fundamental do processo de avaliação de um texto. O que estou querendo dizer até agora é que pensamento contrário ao do escritor foi a base fundamental de avaliação desse texto. Não é para complicar tanto, é bem simples. E não é o fim do mundo. Não sei se posso dizer isso, mas… Esse tipo de poesia, a disposição e tudo mais, simplesmente não te agrada. Mas não use isso para avaliar totalmente o trabalho do autor. Se você é amigo e quer ver o desenvolvimento dele, ótimo. É um apoio importante. Mas continue lendo, um dia ele escreverá algo que te agrade. E ele precisa de todos os tipos de opinião.
    Ninguém entende um texto tanto quanto qualquer outra pessoa, especialmente quanto o autor. Isso sim que é pretensão. Você ficou confuso com as palavras e não gostou. Com certeza, você não entendeu o texto tanto quanto o autor e eu entendi muito menos.
    Eu gosto é de opinião sincera, como a tua foi e que insisto que é boa para o Diego. Falo isso desde o início. Mas é preciso discernir.
    Digo novamente: é tudo muito relativo. Eu tenho uma opinião porque penso de um jeito e você tem outra por pensar de outro. Exatamente o caso da poesia do Diego. É simples: tudo é relativo.
    Bom, é isso o que tenho a dizer.

  • 8 Vinicius Melo Justo // Feb 22, 2007 at 17:25

    Sem querer entrar no mérito da discussão, digo apenas uma coisa: há muitas proparoxítonas neste poema.

  • 9 Manoela // Feb 22, 2007 at 19:19

    pô!!!! tinha escrito um monte de coisas aqui e deu pau na páginaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa - tô desolada… (esse post é um desabafo)

  • 10 Manoela // Feb 22, 2007 at 19:32

    (agora vou tentar lembrar o que escrevi):

    - haahahah, Diego, só pela polêmica o poema já valeu! - po(ema)lêmico heheheheh!

    “Há um arbitrário implícito
    nestas ruas estúpidas:
    o de que devemos prosseguir”

    Sim! Esse poema poderia dar continuidade às nossas experimentações em vídeo, não? Ele me traz imagens arbitrárias que condicionam o olhar, como uma mirada condicionada por um tapa-olhos.

    “como um pintor que, deslizando
    tinta a esmo, não cedesse a um impulso”

    Mas não ceder ao impulso é não caminhar. É estagnar. Quando pinto há algo planejado, os croquis, as cores pré-determinadas… mas há sempre um gesto que escapa - e é ele que guarda o nosso próximo passo em direção à maturidade. É nesse algo que por hora nos escapa que encontraremos nossa própria linguagem. E quando ele é apreendido e aprendido outro algo virá e continuará a escapar. Quem não cede ao impulso está morto.

    Gostei do poema, vou ler e reler e e de novo. Beijo!

  • 11 Rômulo // Feb 23, 2007 at 12:39

    Renata, convenhamos: você deixou implícito que entendeu o texto. Logo no primeiro comentário, você diz “sem sombra de dúvida”, após citar o poema.

    Eu não fiquei exatamente confuso pela disposição das palavras, e elas fizeram sim algum sentido para mim, e certamente se eu me esforçasse conseguiria abstrair um sentido mais completo, mas qual a importância disso tudo? Repito-me: para mim, construir um sentido tátil do texto não é a parte mais importante de sua apreciação. E repito-me novamente: se um texto é difícil, ele deve ser não somente difícil mas instigante para ser bom.

    Não é o caso do texto do Diego. Há muitos textos que eu não entendo, ou que entendo muito pouco, e dos quais eu gosto muito. Entende?

    Você disse que é preciso, para o Diego, discernir. Discernir entre o quê? Entre os comentários de pessoas que entendem o texto, e os comentários de pessoas que não entendem o texto? Mas estabelecemos que isso é impossível… vamos de novo: discernir entre pessoas que dizem que entendem o texto, ou crêem que entendem, e aquelas que não o fazem? Bem, qual a diferença?

    Em literatura, se confia-se na possibilidade de uma diferenciação qualitativa, se acredita-se na possibilidade de dizer que um texto é ruim ou bom, ou melhor ou pior que outro, não há qualquer sentido em reduzir todas as desavenças, todas as discordâncias em simples desdobramentos de opiniões motivadas por *gosto*.

    É justamente o que você tenta fazer com minhas opiniões. Sim, certamente é possível que eu simplesmente não goste do poema do Diego, e por isso não veja tantas qualidades nele, e *deixo isso claro desde o primeiro comentário*, mas também é perfeitamente possível que o poema simplesmente seja ruim, e que eu não veja muitas qualidades nele, e justamente por isso não o goste.

    *

    A partir dos seus comentários, é possível concluir: a) é preciso entender um texto para criticá-lo; b) ninguém é capaz de entender o texto, a não ser (talvez) o autor. Levando-se em consideração que para a qualificação de um texto é necessário o papel da crítica, do the math. Qual a conclusão lógica?

  • 12 Renata Miloni // Feb 24, 2007 at 7:41

    Ai, santo, ainda? Vamos lá. Last time.
    Você está discutindo com você mesmo porque eu não falei quase nada do que você respondeu.
    E eu não deixei nada implícito, não. Foi você quem quis achar coisa onde não tem, palavra onde não escrevi. “Sem sombra de dúvida” para o que fez SENTIDO para mim naquele momento. A única conclusão lógica é que você não quis entender nada do que eu disse simplesmente porque sou alguém que discorda de você. Bloqueio total.
    Então, você acha que alguém vai entender um texto teu exatamente como você entendeu quando escreveu? EXATAMENTE como você. Acha mesmo? E, sabe, se acha, tudo bem. Entende? É a tua opinião. Jesus, não é complicado entender o que estou dizendo.
    Vou tentar novamente e pela última vez porque pensei que isso tivesse acabado, já que o que eu disse antes foi em vão. A opinião é tua: você não gostou. Já falei que é relativo, nem precisa discorrer muito.

    Discernimento é necessário para ele decidir o que é importante e aproveitável para ele ou não. Tão simples. Você foi tão longe e perdeu o sentido. Não tem relação alguma com o fato de entenderem ou não, de gostarem ou não do texto. Tem relação com o que já falei: opiniões diferentes. É somente ele quem vai decidir o que é aproveitável para ele, oras.

    Eu não disse que ninguém é capaz de entender um texto. Você é realmente criativo. Quis dizer, já que é tão difícil de entender, que cada um entende um texto de um jeito e que, por isso, ninguém entende melhor que ninguém. É bem óbvio isso e tive de repetir.
    É preciso entender que cada um tem uma opinião e somente, meudeus. Só o fato de eu ter gostado do poema e você não ter gostado já resume tudo o que eu disse.
    Pronto. Não importa o que eu diga, o fato de discordar de você sempre vai lhe causar um palavrório. Se eu estivesse no teu lugar, talvez também me causasse um. Não sei. O ser humano tem mesmo a tendência a ficar confuso com muita discordância.

  • 13 Vinicius Melo Justo // Feb 24, 2007 at 12:10

    Eu diria que todos estão discutindo tanto só por causa de um poema bom ou ruim. Caramba, Diego, nem era para tanto, não?

    Mas tenho certeza que estamos nos divertindo, ora pois.

  • 14 Rômulo // Feb 24, 2007 at 12:26

    “Ai, santo, ainda? Vamos lá. Last time.
    Você está discutindo com você mesmo porque eu não falei quase nada do que você respondeu.
    E eu não deixei nada implícito, não. Foi você quem quis achar coisa onde não tem, palavra onde não escrevi. “Sem sombra de dúvida” para o que fez SENTIDO para mim naquele momento. A única conclusão lógica é que você não quis entender nada do que eu disse simplesmente porque sou alguém que discorda de você. Bloqueio total.”

    Posso dizer o mesmo sobre você. Afinal, foi você quem iniciou a discussão, e foi você quem a prolongou, e aliás foi você quem esperou que tivesse a última palavra.

    “Então, você acha que alguém vai entender um texto teu exatamente como você entendeu quando escreveu? EXATAMENTE como você. Acha mesmo? E, sabe, se acha, tudo bem. Entende? É a tua opinião. Jesus, não é complicado entender o que estou dizendo.”

    Eu não acho isso. Ainda que achasse, porém, é ÓBVIO que seria apenas minha opinião é tão absolutamente óbvio que não desperdiço tempo apontando esse tipo de coisa.

    “Jesus, não é complicado entender o que estou dizendo.
    Vou tentar novamente e pela última vez porque pensei que isso tivesse acabado, já que o que eu disse antes foi em vão. A opinião é tua: você não gostou. Já falei que é relativo, nem precisa discorrer muito.”

    -óbvio-

    “Discernimento é necessário para ele decidir o que é importante e aproveitável para ele ou não. Tão simples. Você foi tão longe e perdeu o sentido. Não tem relação alguma com o fato de entenderem ou não, de gostarem ou não do texto. Tem relação com o que já falei: opiniões diferentes. É somente ele quem vai decidir o que é aproveitável para ele, oras.”

    Sim, exatamente. E exatamente por isso você não deveria ter comentado e sugerido para o Diego que ele descartasse o meu comentário. Você desqualificou minha opinião, e você não tinha qualquer direito de intervir na decisão que cabe unicamente ao Diego de considerar ou não o que escrevi. E é por isso qeu estamos discutindo: o que eu faço é tentar demonstrar que o meu comentário pode sim ser útil para ele.

    “Eu não disse que ninguém é capaz de entender um texto. Você é realmente criativo. Quis dizer, já que é tão difícil de entender, que cada um entende um texto de um jeito e que, por isso, ninguém entende melhor que ninguém. É bem óbvio isso e tive de repetir.”

    Você não disse isso. Não posso dizer se você é criativa ou não, mas posso dizer que você esquece o que falou. Leia seu terceiro comentário.

    “É preciso entender que cada um tem uma opinião e somente, meudeus. Só o fato de eu ter gostado do poema e você não ter gostado já resume tudo o que eu disse.”

    -óbvio-

    “Pronto. Não importa o que eu diga, o fato de discordar de você sempre vai lhe causar um palavrório. Se eu estivesse no teu lugar, talvez também me causasse um. Não sei.”

    Renata, foi VOCÊ quem se dirigiu a mim inicialmente, foi VOCÊ quem respondeu provocativamente (porque desqualificou a minha crítica) a resposta humilde que eu deixei, e é VOCÊ que agora responde com esse tom de impaciência uma discussão que VOCÊ mesma começou. Se não quer discutir, não discuta, ora! Se se acha intrometida, o que tem a fazer?

    “O ser humano tem mesmo a tendência a ficar confuso com muita discordância.”

    Percebe-se.

  • 15 Renata Miloni // Feb 24, 2007 at 20:09

    Vinicius, quem se divertiu mais fui eu. Pode ter certeza. :-)

  • 16 Rômulo // Feb 24, 2007 at 20:57

    Como se diz na web gringa: “arguing on the internet is like running in the Special Olympics: even if you win, you’re still retarded”.

  • 17 Vinicius Melo Justo // Feb 25, 2007 at 2:45

    Não, não. Eu me diverti. Isso eu agarantio.

    E desculpe pelos floods, Diego.

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